O Ministério do Desenvolvimento Agrário divulgou um balanço do desempenho do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/26 até agora. Segundo a Pasta, entre julho e dezembro de 2025, foram contratados R$ 40,2 bilhões em mais de 1,1 milhão de operações de crédito.
Os números são ligeiramente superiores aos informados na reportagem de 16 de janeiro, que mostrava estabilidade no montante desembolsado, em cerca de R$ 37,6 bilhões. Os dados mudam de acordo com a data de pesquisa no sistema do Banco Central. O governo federal também tem optado por divulgar informações sobre os financiamentos contratados e não os desembolsos efetivamente. O número contratado sempre é maior porque demoram alguns dias até que os valores totais ou parciais sejam desembolsados pelas instituições financeiras aos produtores e contabilizados pelo BC.
O ministério destacou que houve melhor distribuição do crédito rural via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com aumento da participação de agricultores de menor renda, mulheres, jovens e beneficiários de linhas voltadas à agroecologia, à bioeconomia e à inclusão produtiva.
“Os resultados desses primeiros meses do Plano Safra mostram que o Pronaf deixou de ser apenas um instrumento de crédito. Estamos ampliando o acesso ao financiamento, chegando a quem mais precisa, fortalecendo a produção de alimentos, promovendo inclusão social e levando mais dignidade e qualidade de vida para as famílias do campo. Esse é um caminho consistente de desenvolvimento rural sustentável, com geração de renda e redução das desigualdades”, disse, em nota, o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia, Vanderley Ziger.
De acordo com a Pasta, a região Norte registrou 57,8 mil contratos, aumento de 80,6% no número de operações em relação à primeira metade da safra passada, com R$ 3,3 bilhões financiados, crescimento de 9,9% no valor contratado. “O resultado reflete o esforço de ampliar o alcance do Pronaf e garantir que o crédito chegue a regiões historicamente menos atendidas”, disse o MDA.
Em âmbito nacional, houve incremento no acesso a linhas consideradas estratégicas, como o Pronaf Agroecologia, com alta de 102,2% nas operações e 73% no valor financiado, e o Pronaf B, voltado às famílias de menor renda, que teve aumento de 60,1% no número de contratos e crescimento de 52% no volume financiado, que chegou a R$ 5,1 bilhões.
Houve ainda ampliação do acesso ao crédito por mulheres e jovens. Elas representam 42% das operações realizadas em todas as linhas do Plano Safra atual. A linha Pronaf Jovem registrou expansão de 1.555% no volume financiado, um salto de R$ 518 mil para R$ 8,6 milhões.
Os financiamentos destinados à produção de alimentos também cresceram. Entre julho e dezembro, o crédito para o cultivo de hortaliças registrou alta de 22,8% no número de operações, somando R$ 600 milhões contratados. A produção de frutas teve aumento de 10,7% nas operações, com R$ 1,4 bilhão financiado, e a cadeia leiteira acessou 15% mais de recursos, com contratação de R$ 7 bilhões, disse a Pasta.
O Programa Mais Alimentos, de financiamento de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas, chegou a R$ 8 bilhões no volume contratado. “O resultado indica a ampliação do acesso a equipamentos de pequeno porte, mais acessíveis e compatíveis com as propriedades familiares”, apontou o ministério.
A perspectiva do MDA é alcançar dois milhões de contratos até o fim da safra.
Agricultura empresarial
Na semana passada, o Ministério da Agricultura também apresentou um balanço sobre a primeira metade do Plano Safra da Agricultura Empresarial 2025/26. Segundo a Pasta, o volume total de recursos contratados, sem considerar o Pronaf, entre julho e dezembro de 2025, atingiu R$ 284,08 bilhões, crescimento de 3% em relação aos R$ 275,18 bilhões contratados no mesmo período de 2024.
Já os recursos efetivamente concedidos registraram queda de 2%, totalizando R$ 270,41 bilhões. Esse dado de desembolso ainda considera as contratações via Cédulas de Produto Rural (CPRs), que tiveram expansão de 30% no período e chegaram a R$ 121,9 bilhões.
Ao desconsiderar as CPRs e focar apenas nas linhas tradicionais do crédito rural, a primeira metade do Plano Safra da Agricultura Empresarial teve recuo de quase 20% nos recursos desembolsados, para cerca de R$ 150 bilhões.
A queda mais acentuada foi nos investimentos. O total de contratos firmados teve recuo de 25%, passando de 407.163 para 304.476 operações, na soma de todas as modalidades para médios e grandes produtores.
“O cenário se apresenta mais restritivo, principalmente no tocante aos investimentos. Pela demanda, os produtores rurais estão focando mais em custeio, principalmente nesse primeiro semestre da safra e, por parte da oferta, os bancos sendo mais cautelosos, onde as taxas de juros, que são balizadas pela Selic, têm um papel importante nesse comportamento retraído”, disse o Ministério da Agricultura, em balanço publicado no site.
As fontes controladas totalizaram R$ 84,35 bilhões, representando queda de 10% em relação ao ano anterior. As fontes não controladas somaram R$ 64,08 bilhões, com redução de 26%.
Segundo o Ministério da Agricultura, do total programado de R$ 113,4 bilhões em recursos equalizáveis, foram concedidos R$ 41,08 bilhões, resultando em saldo de 64% não utilizado.
Há também R$ 17,1 bilhões em crédito contratado, mas ainda não concedido.
“Entre julho e dezembro de 2025, o crédito rural apresentou crescimento das contratações (+3%), porém queda das concessões (-2%) frente ao mesmo período de 2024. O semestre foi marcado por expansão da CPR (+30%) e retração em linhas tradicionais, especialmente investimento (-20% nas contratações) e custeio (-15% nas contratações). Na agricultura empresarial, destacou-se a participação da CPR no total concedido (de 34% para 45%)”, completou a Pasta.
Por Rafael Walendorff — São Paulo