
Base da alimentação do brasileiro e parte de uma combinação perfeita com o arroz, o feijão é um item indispensável na culinária nacional. Mergulhado em caldo temperado, é tradição no cardápio de almoços e jantares em todo o país.
Contudo, existem muitos tipos do grão, e cada região tem o seu feijão de preferência. Também há feijões que, para além de compor a dieta humana, têm outras finalidades, o que dá aos produtores outras opções de geração de renda com o plantio.
O feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), que serve tanto à gastronomia quanto à indústria de nutrição animal, é um exemplo de cultura com rentabilidade em diferentes mercados. Por ser rústica, a espécie também é conhecida como feijão-bravo e fava-brava.
É possível plantá-la em áreas pequenas, o que significa que o grão tem um cultivo simples, fácil e de baixo custo, - e para agricultores de todos os portes. Largamente adotado nas regiões Sudeste e Sul, esse feijão tem potencial para ganhar espaço também em outros locais do país.
Planta anual, herbácea e com altura que varia de 60 a 120 centímetros, o feijão-de-porco tem crescimento inicial rápido e adapta-se a diferentes tipos de solo, desde os argilosos até os arenosos, sem exigir alta fertilidade. Isso reduz os custos com correção e adubação.
A espécie apresenta folhas verde-escuras e alternadas, flores grandes e violáceas e vagens achatadas, largas e compridas, com 20 centímetros de comprimento ou mais, que acomodam de quatro a 18 sementes brancas, com hilo pardo.
Mãos à obra
Início — Agricultores já estabelecidos na atividade costumam vender sementes de feijão-de-porco. Antes de plantá-las, é recomendável reservar uma área específica para multiplicação, garantindo um estoque próprio para as próximas safras, já que a oferta no mercado é baixa.
Ambiente — O feijão-de-porco é resistente a altas temperaturas, tolera sombreamento parcial e é capaz de se adaptar tanto a climas áridos e secos quanto a ambientes temperados e úmidos. A espécie também se desenvolve em solos que variam de argilosos a arenosos e não depende de alta fertilidade. Dada essa versatilidade, é possível plantar a leguminosa na maior parte do país.
Propagação — Ocorre por meio de sementes, principalmente no início da estação chuvosa. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a semeadura acontece entre outubro e janeiro, podendo se estender até março ou abril, desde que não haja risco de geadas.
Nas regiões Norte e Nordeste, o plantio pode ocorrer durante todo o ano. Também é possível realizar a semeadura no fim do período chuvoso, após a colheita da cultura principal, ou até 45 dias depois do plantio do milho.
Plantio — Recomenda-se o plantio em linhas ou em covas. A quantidade de sementes varia de 80 a 140 quilos por hectare, a depender do sistema adotado. Por ser pouco exigente em fertilidade, o feijão-de-porco adapta-se a solos com deficiência de fósforo.
No entanto, é importante evitar o plantio sucessivo por mais de dois anos na mesma área, já que a cultura é suscetível ao nematoide-de-galhas. Nesse caso, a rotação com outras leguminosas ajuda a manter o equilíbrio do solo.
Espaçamento — Em plantios em linhas, recomenda-se espaçamento de 40 a 70 centímetros, utilizando de três a sete sementes por metro linear. Para a produção de sementes, o espaçamento pode chegar a 70 centímetros entre linhas.
No plantio em covas, são necessárias duas sementes por cova, com distância de 40 centímetros entre elas. Já no consórcio, o espaçamento deve acompanhar o da cultura principal, geralmente em fileiras duplas, com 30 centímetros entre linhas e entre plantas.
Cuidados — O principal manejo é a capina, que deve ser realizada cerca de um mês após a germinação. Na fase de floração, que ocorre entre dois e três meses após o plantio, pode-se optar pela incorporação da planta ao solo ou pelo corte da parte aérea a cerca de 40 centímetros do chão, utilizando facão ou roçadeira. O feijão-de-porco apresenta capacidade de rebrota, podendo permitir até dois cortes.
Produção — As vagens devem ser colhidas quando estiverem bem secas. Ainda assim, recomenda-se realizar uma secagem complementar por dois a três dias, em piso cimentado ou ladrilhado. A trilha para separar as vagens das sementes (para plantio) ou dos grãos (para consumo) pode ser feita de forma manual, com o uso de golpes de madeira, ou de forma mecânica, com trilhadeira.
O ciclo completo da cultura dura de 170 a 200 dias, com rendimento entre 800 e 1.200 quilos de feijão por hectare. Quando bem armazenados em recipientes hermeticamente fechados e em temperatura ambiente de cerca de 26 °C, os grãos podem ser conservados por mais de 12 meses sem perda de qualidade.
Solo — Pode ser argiloso ou arenoso e não exige alta fertilidade.
Clima — Tolera desde condições áridas e secas até ambientes temperados e úmidos.
Área mínima — Pode ser cultivado apenas para adubação verde, contribuindo para a melhoria da composição química e da estrutura do solo.
Colheita — Ocorre entre 170 e 200 dias após o plantio.
Custo — Varia de acordo com a finalidade do cultivo.
Consultoria — Kaesel Jackson Damasceno e Silva é pesquisador em genética e melhoramento de feijão-caupi da Embrapa Meio-Norte.
Endereço: Av. Duque de Caxias, nº 5.650, bairro Buenos Aires, Teresina (PI).
Caixa Postal: 001 — CEP: 64008-780
Telefone: (86) 3198-0500
Site: www.embrapa.br/fale-conosco/sac/
Onde comprar — Adquira sementes de produtores profissionais e com boa referência no mercado.
Mais informações — Para dados adicionais, inclusive referências citadas nesta seção, acesse:
www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/407266/1/feijaoporcoleguminosa.pdf
Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ematers) dos estados, bem como outras agências de extensão rural, oferecem orientações sobre diferentes tipos de plantios.
Por João Mathias — São Paulo