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Hábitos alimentares elevam demanda por proteínas

O impacto econômico decorre da mudança de comportamento dos usuários.

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Hábitos alimentares elevam demanda por proteínas
O impacto econômico decorre da mudança de comportamento dos usuários - Foto: Pixabay

O avanço de medicamentos para controle de peso vem provocando mudanças estruturais no consumo de alimentos e começa a redesenhar perspectivas para o agronegócio global. Segundo análise de Carlos Cogo, sócio-diretor de consultoria da Cogo Inteligência em Agronegócio, a disseminação das canetas emagrecedoras da classe GLP-1 já extrapola o campo da saúde e passa a influenciar padrões alimentares, cadeias produtivas e fluxos de comércio.

No Brasil, estudos citados por Itaú BBA e IQVIA indicam entre 4 e 6 milhões de usuários regulares desses medicamentos, o que posiciona o país como o segundo maior mercado mundial. Com a quebra de patentes prevista ao longo de 2026, projeções do BTG Pactual apontam potencial de crescimento de até 80% no volume comercializado, ampliando ainda mais os efeitos sobre o consumo.

O impacto econômico decorre da mudança de comportamento dos usuários, que passam a ingerir menos calorias e a priorizar alimentos de maior qualidade nutricional. Levantamentos indicam que 56% dos consumidores relatam dietas mais saudáveis, com porções menores e maior densidade de nutrientes. As recomendações nutricionais associadas ao uso de GLP-1 sugerem ingestão elevada de proteínas, enquanto o consumo de carboidratos recua, com retrações estimadas de 10,1% em snacks e de 8,8% em panificados.

Esse novo padrão favorece diretamente as proteínas animais e amplia a relevância de países capazes de atender a essa demanda. O Brasil já ocupa posição de destaque como maior exportador mundial de carne bovina e de frango e avança para alcançar o terceiro lugar global em carne suína em 2026.

Tendências mapeadas pela Euromonitor indicam avanço de alimentos mais funcionais e saciáveis, abrindo espaço para carnes porcionadas, produtos prontos, snacks proteicos e linhas premium. A experiência dos Estados Unidos, onde o uso de GLP-1 já supera 15 milhões de pessoas, sinaliza queda no consumo de ultraprocessados ricos em carboidratos e crescimento acelerado de produtos proteicos, além de ajustes no varejo voltados à saúde e à funcionalidade.´

Por Leonardo Gottems