
A Agência de Defesa Sanitária Agrossilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron) reforçou o alerta aos produtores de aves de Cacoal e de outros municípios rondonienses sobre a necessidade de ampliar os cuidados contra a doença de Newcastle. A orientação ocorre após a confirmação de três focos da enfermidade em Santa Catarina, situação que também provocou restrições às exportações brasileiras de produtos avícolas. Entrevista concedida ao programa Comando na TV, da TV Suruí Cacoal, foi ao ar nesta terça-feira, 28 de outubro.
A Idaron explicou que a principal preocupação é impedir que o vírus entre nas propriedades, provoque a morte das aves e comprometa a produção.
O alerta ganha importância em Cacoal, município que lidera o plantel avícola de Rondônia. Conforme levantamento da própria Idaron, a cidade contabilizava aproximadamente 1,2 milhão de aves em 2024, seguida por Espigão do Oeste, com 919,7 mil, e Rolim de Moura, com 686,8 mil.
Doença já tem três focos confirmados em Santa Catarina
O primeiro foco foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 18 de outubro, em uma granja comercial de perus no município de Nova Itaberaba, no oeste catarinense.
Posteriormente, foram confirmados outros dois focos: em Coronel Freitas, no dia 24, e em Nova Erechim, no dia 27. As ocorrências estão dentro da área submetida à vigilância sanitária, onde o governo federal declarou emergência zoossanitária por 60 dias.
Segundo a Idaron, a doença de Newcastle é provocada por um vírus que pode atingir os sistemas respiratório, digestivo e nervoso das aves, provocando sinais como torcicolo, paralisia, dificuldade respiratória, queda na produção de ovos e mortalidade elevada.
Durante a entrevista, o representante da agência destacou que o risco não se limita às perdas dentro das propriedades, já que a identificação de focos também afeta a comercialização internacional da produção brasileira.
As consequências econômicas já são sentidas no comércio exterior. Segundo atualização divulgada pelo Ministério da Agricultura em 28 de outubro, Uruguai, México e Malásia suspenderam importações de produtos avícolas provenientes de todo o Brasil.
Outros países, como China e Chile, estabeleceram restrições aos produtos de Santa Catarina. Já parceiros comerciais como Japão, Arábia Saudita e Reino Unido limitaram as medidas à área diretamente afetada pelos focos.
O governo federal mantém negociações para reduzir os impactos econômicos e evitar que produtores de regiões sem registros da doença sejam prejudicados.
Idaron orienta produtores a reforçar a proteção nas granjas
Durante a entrevista à TV Suruí, o representante da Idaron explicou que a prevenção começa com cuidados simples, mas fundamentais para evitar a introdução do vírus nas propriedades.
Entre as principais recomendações estão:
Restringir visitantes: evitar a entrada de pessoas sem necessidade nas granjas, já que roupas e calçados podem transportar agentes infecciosos.
Desinfetar equipamentos: manter rigor na higienização de materiais, veículos e utensílios utilizados na produção.
Proteger os galpões: instalar telas de malha fina para impedir a entrada de pássaros e outras aves silvestres.
Manter a vacinação: seguir o protocolo sanitário recomendado para cada tipo de criação, com orientação veterinária.
Observar os animais: acompanhar diariamente o comportamento das aves e comunicar imediatamente qualquer suspeita à Idaron.
A Idaron destacou especialmente a importância das telas de proteção nos barracões. Segundo ele, não basta utilizar cercas com aberturas grandes, porque pássaros menores podem entrar nas instalações e levar o vírus até as aves domésticas.
A recomendação é utilizar telas apropriadas, com aberturas suficientemente pequenas para impedir esse contato.
Outro ponto destacado na entrevista foi a necessidade de observar sinais de alterações no comportamento das aves.
Animais mais quietos que o normal, com pescoço torto ou caído, dificuldades de locomoção, problemas respiratórios e aumento repentino da mortalidade devem despertar a atenção dos criadores.
A orientação é comunicar imediatamente à Idaron qualquer suspeita, sem esperar que a situação se agrave.
“Quanto antes nós trabalharmos com isso, melhor”, ressaltou Dâmares, representante da agência durante a entrevista.
Apesar da preocupação com a doença, o Ministério da Agricultura esclarece que o consumo de carne de aves e ovos provenientes de estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária oficial permanece seguro.
A Idaron reforça que a população deve priorizar produtos regularizados e identificados com selos de inspeção sanitária.
Em Rondônia, o alerta tem caráter preventivo. O objetivo é preservar a sanidade dos plantéis e evitar prejuízos aos produtores, especialmente em municípios com forte presença da avicultura, como Cacoal.
A agência reforça que a colaboração dos criadores é indispensável para detectar precocemente qualquer suspeita e impedir a disseminação da doença.
Nelson Salles da Redação
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