
A Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (IDARON) descartou a ocorrência de raiva em um bovino que apresentou sinais suspeitos no município de Cacoal (RO). O animal chegou a ser atendido após comunicação feita pelo produtor rural, mas o exame laboratorial realizado a partir de material coletado do sistema nervoso central apresentou resultado negativo para a doença.
O repórter da TV Suruí Cacoal, Matheus Afonso entrevistou a veterinária do Idaron de Cacoal, Damaris nesta semana.
A informação ganha importância diante da preocupação provocada nos últimos dias pela confirmação de três casos de raiva em bovinos no distrito de Tarilândia, município de Jaru, além da confirmação da doença em um morcego em Cacoal.
A ocorrência envolvendo o morcego contribuiu para o surgimento de informações e comentários de que também haveria casos confirmados em bovinos no município. A IDARON, entretanto, esclarece que, até o momento, o caso suspeito investigado em Cacoal foi descartado laboratorialmente.
Segundo Damaris, representante da IDARON entrevistada pelo O Minuto Notícia, o produtor comunicou à agência depois de perceber que um bovino apresentava alterações neurológicas.
A equipe realizou o atendimento, mas o animal morreu em decorrência do quadro clínico. Diante da suspeita, profissionais fizeram a coleta de material do sistema nervoso central e encaminharam a amostra para diagnóstico laboratorial.
O resultado, recebido posteriormente pela agência, foi negativo para raiva.
A especialista explica que outras enfermidades também podem atingir o sistema nervoso central dos animais e provocar manifestações semelhantes às observadas em casos de raiva. Por esse motivo, somente a avaliação clínica não é suficiente para confirmar a doença, tornando fundamental a realização do diagnóstico laboratorial.
Produtor deve observar mudanças no comportamento do animal

A IDARON também reforça a necessidade de os produtores rurais permanecerem atentos aos sinais apresentados pelos animais.
Nos bovinos e demais animais de produção, a raiva pode não apresentar o comportamento agressivo popularmente associado à doença em cães e outros carnívoros. Entre os principais sinais de alerta estão alterações na locomoção, com dificuldade para permanecer em pé e andar normalmente.
O animal pode apresentar andar cambaleante, perder a firmeza das patas, desenvolver salivação excessiva, dificuldade para engolir e alterações respiratórias. Em determinadas situações, o bovino mantém o pescoço estendido, levando o produtor a imaginar equivocadamente que exista algum objeto preso na garganta.
Outro sinal que pode aparecer é a perda da visão.
IDARON alerta: não coloque a mão na boca do animal

Um dos principais alertas feitos pela agência é para que o produtor não tente retirar, com as próprias mãos, um suposto objeto da boca ou garganta de um animal que apresente sintomas neurológicos e dificuldade para engolir.
Caso o bovino esteja infectado pela raiva, esse contato pode representar risco de exposição do ser humano ao vírus.
Diante de qualquer animal apresentando alterações neurológicas ou comportamento diferente do habitual, a orientação é evitar manipulações desnecessárias e comunicar imediatamente o serviço oficial de defesa sanitária animal.
A raiva é uma zoonose extremamente grave, capaz de atingir mamíferos, inclusive seres humanos. Por isso, qualquer suspeita precisa ser tratada com cautela e acompanhada pelos órgãos responsáveis.
Vacinação é investimento em prevenção

A IDARON reforça duas medidas fundamentais aos produtores: prevenção e comunicação.
Mesmo sem confirmação de raiva em bovinos em Cacoal, a recomendação é manter a vacinação dos animais conforme as orientações sanitárias. A imunização representa uma importante ferramenta de proteção do rebanho e contribui para reduzir os riscos relacionados à circulação do vírus.
Além disso, ao perceber sinais neurológicos ou qualquer situação suspeita, o produtor deve procurar imediatamente a unidade da IDARON do município onde está localizada a propriedade.
Em Cacoal, produtores podem procurar diretamente o escritório da agência e utilizar os canais oficiais de atendimento para comunicar situações suspeitas.
A orientação é não esperar a evolução do quadro. Quanto mais rapidamente a ocorrência for informada, mais cedo as equipes poderão realizar a avaliação, adotar as medidas sanitárias necessárias e, quando indicado, coletar material para diagnóstico laboratorial.
Informação correta evita boatos

A confirmação de três casos de raiva bovina em Tarilândia e o registro envolvendo um morcego em Cacoal exigem atenção, mas também responsabilidade na divulgação das informações.
Até o momento, de acordo com os esclarecimentos prestados pela IDARON, não há confirmação de raiva no bovino investigado em Cacoal. O único animal de produção suspeito citado pela agência foi submetido a exame laboratorial, cujo resultado foi negativo para a doença.
A recomendação aos produtores permanece: manter a prevenção, observar os animais e comunicar imediatamente à IDARON qualquer suspeita.
Nelson Salles da Redação
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