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Infecções multirresistentes têm risco maior em pessoas com obesidade

Estudo com 540 mil pessoas indica que indivíduos com obesidade têm até três vezes mais risco de desenvolver infecções graves.

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Infecções multirresistentes têm risco maior em pessoas com obesidade

Um estudo publicado nessa segunda-feira (9/2) na revista científica The Lancet aponta que pessoas com obesidade têm 70% mais risco de hospitalização ou morte por doenças infecciosas em comparação com pessoas com índice de massa corporal (IMC) entre 18,5 e 24,9. O risco aumenta de forma progressiva conforme o ganho de peso.

Os dados do estudo conduzido por cientistas da University College London (UCL) mostram que o impacto da condição não é só no desenvolvimento de algumas doenças crônicas já conhecidas, como diabetes e problemas cardiovasculares, mas também um fator importante na evolução de quadros infecciosos.

Nos casos de obesidade grave — com IMC igual ou superior a 40 —, o risco de desenvolver uma infecção grave é três vezes maior em relação ao grupo com peso saudável. No geral, a obesidade está associada a cerca de 10% das mortes por infecções em todo o mundo.

Obesidade agrava infecções respiratórias e gastrointestinais

Os pesquisadores analisaram 925 tipos de doenças infecciosas (bacterianas, virais, parasitárias e fúngicas) e encontraram associação entre obesidade e maior risco de hospitalização ou morte em infecções comuns no dia a dia. Entre as principais, estão:

  • Gripe;
  • Covid-19;
  • Pneumonia;
  • Gastroenterite;
  • Infecções do trato urinário;
  • Infecções respiratórias inferiores.

O estudo não identificou aumento significativo do risco de quadros graves para HIV e tuberculose em pessoas com obesidade.

Estudo acompanhou pacientes por 14 anos

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores analisaram dados de mais de 540 mil participantes de estudos de corte do Reino Unido (UK Biobank) e da Finlândia. O IMC foi medido no início do acompanhamento, que durou entre 13 e 14 anos, em média.

Além disso, a relação entre obesidade e infecções graves se manteve independentemente da forma de medir o excesso de peso — seja por IMC, circunferência da cintura ou relação cintura-estatura.

Obesidade dificulta a recuperação de infecções

Embora o estudo não tenha analisado diretamente os mecanismos biológicos, pesquisas anteriores já indicavam que a obesidade está ligada a inflamação crônica, alterações no metabolismo e funcionamento menos eficiente do sistema imunológico.

Esse conjunto de fatores pode dificultar a recuperação do organismo depois de uma infecção. Para os autores do estudo, pessoas com obesidade não se infectam com mais facilidade mas, quando adoecem, têm risco maior de desenvolver quadros graves.

Outro ponto muito importante achado no estudo é que pessoas com obesidade que perderam peso durante o acompanhamento apresentaram redução de aproximadamente 20% no risco de infecções graves em comparação com aquelas que permaneceram obesas.

Vacinação e políticas públicas são fundamentais

Os pesquisadores defendem a adoção de políticas públicas para ampliar o acesso a alimentação saudável, atividade física e estratégias de prevenção da obesidade. Para pessoas obesas, a recomendação é manter a vacinação em dia, como forma de reduzir o risco de evolução para quadros mais graves das doenças infecciosas.

Por Karol Oliveira