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Inflação avança em maio impulsionada pelo aumento dos alimentos

Elevação nos preços de itens essenciais voltou a pressionar o bolso dos consumidores e influenciou o avanço da inflação no mês.

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Índice aponta alta em alimentos como carnes e leite e em refeições compradas fora de casa. (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

A prévia da inflação oficial do país avançou 0,62% em maio, pressionada principalmente pelo aumento no preço dos alimentos, da energia elétrica e de itens de saúde, de acordo com dados do IBGE divulgados nesta quarta-feira (27). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) desacelerou em relação aos 0,89% registrados em abril, mas ainda mostra pressão no bolso do consumidor, acumulando alta de 4,64% em 12 meses.

O grupo Alimentação e Bebidas teve o maior impacto no índice, com alta de 1,38% puxado pelos aumentos da batata-inglesa, que disparou 26,29%, do tomate, com alta de 12,97%, do leite longa vida, que subiu 6,07%, e das carnes, com avanço de 1,98%.

Mesmo com algumas quedas pontuais, como a da maçã (-2,32%) e do café moído (-2,09%), os alimentos consumidos dentro de casa continuaram pressionando o orçamento das famílias. A alimentação no domicílio ficou em 1,73% em maio, praticamente repetindo a forte alta registrada em abril.

Os gastos com alimentação fora de casa também subiram, mas em ritmo menor do que no mês anterior. As refeições tiveram aumento de 0,57%, enquanto os lanches avançaram 0,37%, desacelerando em relação aos índices observados em abril.

Outro peso importante na inflação veio do grupo Habitação, que registrou alta de 1,03%. A energia elétrica residencial teve impacto relevante após a entrada em vigor da bandeira tarifária amarela, que adiciona cobrança extra de R$ 1,885 na conta de luz a cada 100kWh consumidos.

Além da mudança tarifária nacional, reajustes locais elevaram ainda mais os custos em cidades como Fortaleza, Salvador e Recife. O aumento nas tarifas de água e esgoto em Goiânia e no gás encanado no Rio de Janeiro também contribuiu para a pressão sobre as despesas domésticas.

Na área de Saúde e cuidados pessoais, os preços avançaram 1,05%, puxados principalmente pelos produtos farmacêuticos e de higiene pessoal. O reajuste autorizado de até 3,81% nos medicamentos, em vigor desde abril, ajudou a elevar os custos para os consumidores.

O grupo Transportes foi o único a registrar queda relevante, com recuo de 0,33%. A suposta redução apurada pelo IBGE nos preços dos combustíveis aponta diminuição de 2,73% no etanol, 2,04% no diesel e 1,32% na gasolina.

Mesmo assim, alguns serviços ligados ao transporte ficaram mais caros, como as passagens aéreas, que subiram 3,25% após queda no mês anterior. Em várias capitais, medidas de gratuidade e redução tarifária no transporte público aos domingos e feriados ajudaram a aliviar parte da pressão sobre os usuários.

Entre as regiões pesquisadas, Goiânia registrou a maior alta do IPCA-15, com avanço de 1,41%, influenciado principalmente pelo aumento dos combustíveis. Já Brasília teve o menor resultado, com inflação de 0,33%, beneficiada pela queda no preço da gasolina e pelas reduções no transporte público.

Os dados do IPCA-15 consideram preços coletados entre 16 de abril e 15 de maio e refletem o consumo de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. O indicador funciona como uma prévia da inflação oficial do país e serve de termômetro para medir o custo de vida da população brasileira.

Por Guilherme Grandi



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