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Leitura traz ganhos mentais e emocionais, dizem especialistas

Entenda como praticar leitura ativa diferentes áreas cerebrais, melhora a cognição e pode ajudar a desacelerar a mente no dia a dia.

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A leitura ativa diferentes áreas do cérebro e ajuda a melhorar foco, memória e raciocínio.

Ler vai muito além de absorver informações. Do ponto de vista neurológico, trata-se de uma das atividades mais completas para o cérebro, capaz de ativar diferentes regiões ao mesmo tempo e estimular funções cognitivas essenciais.

De acordo com a neuropsicóloga Sandra Schewinsky, do Hospital Sírio-Libanês, a leitura envolve uma rede complexa de áreas cerebrais que trabalham de forma integrada. “Não é apenas uma área cerebral que é ativada, mas várias regiões complexas que trabalham de forma integrada”, explica.

O processo começa no lobo occipital, responsável por interpretar o que os olhos enxergam. Em seguida, a informação segue para regiões ligadas ao reconhecimento das palavras e ao significado do texto, como o lobo temporal e a área de Wernicke, essencial para a compreensão da linguagem.

Já o lobo frontal e o córtex pré-frontal entram em ação para organizar as ideias, manter o foco e sustentar a atenção. Esse trabalho conjunto permite não só entender o conteúdo, mas também refletir, interpretar e até “imaginar” cenários, especialmente em leituras narrativas.

Leitura fortalece memória, atenção e raciocínio

Por envolver diferentes etapas — da percepção visual até a interpretação —, a leitura funciona como um verdadeiro treino mental. Na prática, o cérebro precisa decodificar letras, manter o foco, reter informações e fazer conexões com conhecimentos prévios.

Esse processo estimula a memória, a atenção, o raciocínio e a criatividade ao mesmo tempo. Quanto mais frequente e ativa for a leitura, maior tende a ser o fortalecimento das conexões neurais — fenômeno conhecido como neuroplasticidade.

Isso significa que o cérebro se torna mais eficiente ao longo do tempo. Além disso, o hábito contribui para o aumento da chamada reserva cognitiva, um “estoque” de conexões cerebrais que pode ajudar a proteger o cérebro contra o envelhecimento e o declínio cognitivo.

Mas, o tipo de conteúdo consumido também faz diferença. Textos curtos e fragmentados, comuns nas redes sociais, tendem a exigir menos profundidade cognitiva e, muitas vezes, são rapidamente descartados pelo cérebro.

Já as notícias exigem agilidade na compreensão, mas ainda com menor envolvimento mental. Por outro lado, livros — especialmente narrativas — promovem maior engajamento, estimulam a imaginação e acionam mais áreas cerebrais ao mesmo tempo. Esse tipo de leitura favorece reflexão, criatividade e pensamento crítico.

Benefícios da leitura para o cérebro e a mente

  • Fortalece memória, atenção e raciocínio;
  • Estimula a criatividade e a imaginação;
  • Aumenta a capacidade de concentração;
  • Ajuda a desenvolver pensamento crítico;
  • Contribui para a reserva cognitiva;
  • Pode retardar o declínio cognitivo;
  • Reduz o estresse e a ansiedade;
  • Melhora o foco e a organização mental.
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Ler regularmente pode reduzir o estresse e ajudar a desacelerar a mente no dia a dia

Ler também é uma forma de descanso mental

Apesar de ser uma atividade ativa, a leitura pode funcionar como um descanso para a mente — especialmente em um cenário de excesso de estímulos e informações rápidas.

Segundo a psicóloga Luciana Oliveira, especialista em terapia cognitivo-comportamental, ler ajuda a direcionar o foco e reduzir a sobrecarga mental.

“A leitura funciona como um descanso ativo: mantém o cérebro engajado, mas em um estado mais calmo, previsível e profundo”, afirma.

Ao mergulhar em uma história, a pessoa se afasta momentaneamente das preocupações, o que contribui para a redução do estresse e da ansiedade. Esse envolvimento também pode favorecer o autoconhecimento, já que o leitor se identifica com personagens e situações.

Criar o hábito de ler, especialmente à noite, também pode melhorar o sono — desde que alguns cuidados sejam respeitados. A leitura em papel tende a ser mais benéfica nesse momento, pois evita a exposição à luz das telas, o que pode estimular o cérebro e dificultar o relaxamento.

Além disso, o hábito ajuda a desacelerar o ritmo mental e sinaliza ao organismo que é hora de descansar. No entanto, o efeito pode variar de pessoa para pessoa. Livros muito estimulantes, como os de suspense, podem ter o efeito contrário e aumentar o estado de alerta.

Equilíbrio é o que faz a diferença

A leitura pode ser uma aliada importante da saúde mental, desde que seja encarada como um momento de prazer — e não como obrigação. Além disso, também pode funcionar como um “escapismo saudável”, oferecendo uma pausa emocional e ajudando a reorganizar pensamentos. O problema surge quando passa a ser usada como forma constante de evitar a realidade.

Por isso, o ideal é manter o equilíbrio: usar a leitura como ferramenta de descanso, aprendizado e bem-estar, incorporando o hábito de forma leve no dia a dia — mesmo que por poucos minutos. No fim das contas, mais do que quantidade, o que realmente importa é a qualidade da experiência e o envolvimento com o que se lê.

Por Isabella França


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