
Uma pesquisa divulgada pela consultoria Meio/Ideia nesta quarta-feira (11) mostra que o escândalo envolvendo o Banco Master tem potencial de impacto político sobretudo para o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o levantamento, embora menos da metade dos brasileiros tenha ouvido falar do caso, entre aqueles que conhecem o episódio a principal associação é feita com a Corte.
Além disso, 75% dos entrevistados dizem que teriam maior propensão a votar para o Senado em candidatos que defendam o impeachment de ministros da Corte.
O levantamento foi realizado entre os dias 6 e 10 de março de 2026, com 1.500 entrevistas telefônicas em todo o país. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.
De acordo com a pesquisa, 48% da população afirma ter tomado conhecimento do chamado “caso Master”, que envolve questionamentos sobre a relação entre integrantes do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Entre os entrevistados que disseram conhecer o episódio, 35% associa o escândalo diretamente ao STF, e não a outros atores políticos ou econômicos envolvidos. O caso é associado ao governo federal para 21,3% dos entrevistados e ao Congresso em geral por 17,9%. Além disso, a pesquisa aponta que 25,8% associa o escândalo aos três atores: STF, governo e Congresso.
Percepção sobre o STF é impactada pelo escândalo
A pesquisa também indica que o caso pode afetar a avaliação pública da Corte. Entre os entrevistados que afirmaram conhecer o escândalo, 69,9% declara que a credibilidade do STF é impactada negativamente pelo episódio.
Apenas 17,1% dos entrevistados que conhecem o caso Master considera que a credibilidade do STF segue preservada. Outros 13,7% dizem não saber como fica a credibilidade.
O levantamento não detalha responsabilidades jurídicas, mas mede a percepção pública diante da repercussão política do caso.
Tema pode influenciar eleições para o Senado
Outro dado apontado pela pesquisa sugere que o assunto pode ganhar relevância nas campanhas eleitorais. Segundo o levantamento, 75% dos entrevistados que associam o caso ao STF disseram que teriam maior propensão a votar para o Senado em candidatos que prometessem apoiar o impeachment de ministros da Corte.
Como cabe ao Senado julgar processos desse tipo, o tema aparece, na avaliação do estudo, como possível pauta de mobilização eleitoral.
Para 44% dos entrevistados, a promessa de votar o impeachment de ministros do STF aumenta a chance de voto em candidatos ao Senado. Outros 33% afirmam que o apoiamento ao impeachment não aumenta nem diminui a chance de voto em senadores. Para 15,5%, no entanto, essa promessa pode diminuir a chance de voto.
Por Aline Rechmann