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Lula destaca transparência e anuncia divulgação de dados sobre desmatamento nos EUA

Inpe informou que a taxa de desmatamento no Cerrado e na Amazônia registraram queda em 12 meses

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Governo fará uma comparação entre os dados de desmatamento do Brasil com os resultados dos Estados Unidos — Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Na esteira de um eventual novo tarifaço contra o Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (11/6), que o governo federal vai encaminhar os dados de redução do desmatamento no país ao representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

“Vamos ter que pegar esses dados e mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior”, disse o presidente durante visita ao Observatório Regional Amazônico (ORA) da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília.

Segundo Lula, o governo fará uma comparação entre os dados de desmatamento do Brasil com os resultados dos Estados Unidos. “Agora é a hora da comparação. “Eles mentiram na primeira vez que taxaram o Brasil em 50%, dizendo que tinha déficit comercial. Nós provamos que tiveram superávit muito alto em 15 anos”, pontuou.

O petista também chegou a dizer que os americanos não têm dimensão das medidas implementadas pelo governo brasileiro para reduzir o desmatamento no país — mesmo argumento usado na época do tarifaço.

Na quarta-feira (10/6), durante reunião do Conselho Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o chamado “Conselhão”, o governo renovou críticas às medidas protecionistas do governo de Donald Trump e Lula usou a ocasião para criticar as taxas de desmatamento do país.

“Quero saber quais são os direitos que os trabalhadores [dos EUA] têm para vir um tal de diretor financeiro impor multa por causa do desmatamento. Será que eles não percebem que eles já estão carecas?”, afirmou o presidente durante discurso no Conselhão.

Durante o evento no observatório da OTCA, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que a taxa de desmatamento no Cerrado e na Amazônia registraram queda em maio deste ano em relação a maio de 2025, com redução de 12,2% e 61,4%, respectivamente.

Lula considerou o resultado como “extraordinariamente positivo” e também pediu uma cooperação pautada na “boa vontade” entre governos federal, estaduais e municipais e ao aparelhamento das instituições ligadas ao meio ambiente.

A divulgação dos dados sobre desmatamento ocorre uma semana após o USTR ter recomendado a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros enviados aos Estados Unidos com base nas investigações comerciais da Seção 301 – que teve como alvos o Pix, o comércio da rua 25 de Março, o desmatamento e o etanol, entre outros itens.

Objetivo "não é dar resposta", diz ministro

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a divulgação dos dados sobre a queda do desmatamento no país não teve como objetivo “dar resposta” a qualquer governo.

A declaração foi feita após Capobianco ser questionado se a apresentação das informações era direcionada aos Estados Unidos, após a nova recomendação de imposição de tarifas decorrente da investigação comercial conduzida pelo escritório de comércio americano.

De acordo com o ministro, a divulgação dos dados segue uma prática de transparência adotada há anos pelo governo brasileiro e não tem motivação política.

Antes de responder à pergunta, durante sua fala de abertura, Capobianco afirmou que a redução das taxas de desmatamento “põe por terra definitivamente a acusação injusta e improcedente dos Estados Unidos”, em referência à inclusão da questão ambiental entre os argumentos apresentados pelo USTR para justificar a adoção de tarifas contra o país.

O ministro também classificou como “outra inverdade” a acusação de que o Brasil exporta madeira de origem ilegal. Segundo ele, toda a madeira exportada pelo país é monitorada. “O Brasil não está promovendo desmatamento ilegal; Brasil não está exportando madeira ilegal”, completou.

Segundo Capobianco, os dados passarão a ser públicos a partir desta quinta-feira e poderão ser consultados por qualquer pessoa. O ministro afirmou, porém, que as informações também servirão de subsídio para as negociações conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) com autoridades dos Estados Unidos.

Por Mariana Andrade — Brasília


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