
Apesar das mudanças nas relações de trabalho, oito em cada dez brasileiros que buscam emprego preferem vagas com carteira assinada.
Segundo levantamento da Serasa Experian, 78,7% dos entrevistados querem trabalhar em regime CLT, indicando que a estabilidade ainda é determinante.
No entanto, essa preferência muda entre as gerações. Para os mais jovens, a preferência pela CLT é quase unânime: 92,6% na Geração Z e 86,8% entre Millennials.
O percentual diminui ao longo da trajetória profissional, chegando a 82,9% na Geração X e a 50% entre Baby Boomers, grupo em que formatos alternativos, como trabalho liberal (23,3%), terceirizado (16,7%) e PJ (10%), ganham mais espaço.
Veja qual é a sua geração
- Baby Boomers (1946-1964)
- Geração X (1965-1980)
- Millennials/Y (1981-1996)
- Geração Z (1997-2010)
- Alfa (a partir de 2010)
Para a gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, Fernanda Guglielmi, esse comportamento está diretamente ligado ao contexto em que a decisão é tomada.
“Quando as pessoas estão efetivamente procurando trabalho, o vínculo formal ainda aparece como principal referência. A previsibilidade do contrato segue sendo determinante nesse momento, especialmente no início da carreira, mas convive com uma abertura crescente à reinvenção profissional ao longo do tempo.”

O que é CLT?
A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) garante direitos como carteira assinada, férias remuneradas, 13º salário, jornada definida, FGTS e aviso prévio, tanto para trabalhadores urbanos quanto rurais.
Mudança de carreira
A disposição para mudar de carreira acompanha esse movimento. No total, 69,1% dos brasileiros dizem estar abertos a mudar de carreira nos próximos anos.
Entre as gerações, esse movimento é mais intenso justamente entre os profissionais mais experientes: 82,3% dos Baby Boomers afirmam estar abertos à reinvenção, percentual superior ao observado na Geração X (70,9%), Millennials (69,4%) e Geração Z (56,1%).:
“Os dados mostram que a reinvenção profissional não está restrita ao início da carreira e ganha força entre os profissionais mais experientes, acompanhando mudanças nas prioridades e na forma como eles se relacionam com o trabalho ao longo do tempo.”
Entre os Baby Boomers, 36,8% afirmam que pretendem trabalhar enquanto tiverem saúde e disposição. Nas demais gerações, a permanência no mercado ainda aparece mais associada a marcos etários, mas já aponta para carreiras prolongadas.
Entre os profissionais da Geração Z, 24,6% se veem ativos até os 50 anos e 29,7% até os 60. Entre Millennials, 34,8% pretendem trabalhar até os 60 anos, enquanto na Geração X, 42,3% projetam atuação entre os 60 e 70 anos.
Longevidade
Para permanecer no mercado de trabalho, os profissionais apontam diferentes fatores.
Para 39,7%, a valorização da experiência e do conhecimento acumulado é o principal elemento, seguida por investimento em saúde e bem-estar (38,5%) e oportunidades de requalificação e aprendizado contínuo (29,5%).
Além disso, 53,1% dos entrevistados apontam fatores pessoais como determinantes para continuar trabalhando, enquanto aspectos ligados às empresas (25%) e ao contexto social (19,5%) também exercem influência.
A pesquisa
Os dados fazem parte da série Panorama do Trabalho, mapeamento realizado pela Serasa Experian para analisar diferentes aspectos da relação entre profissionais e empresas no país.
O levantamento foi realizado entre novembro e dezembro de 2025 com 1.521 profissionais economicamente ativos ou em busca de emprego, de diferentes gerações e regiões do Brasil. A amostra é representativa da população pesquisada e a margem de erro do estudo é de 3%.
Por Ana Vinhas