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Medicamentos viajam o corpo inteiro para descobrir onde está a dor

Princípio ativo procura receptores específicos que sinalizam a dor, mas medicamentos são feitos para se encaixar em fechaduras específicas

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Medicamentos viajam o corpo inteiro para descobrir onde está a dor

Você já se perguntou como os remédios fazem para agir exatamente na região do corpo onde são destinados? De acordo com os especialistas entrevistados pelo Metrópoles, tudo ocorre por meio de um processo físico-químico chamado afinidade molecular, quando a força da atração e a tendência de moléculas se ligarem de forma estável atuam conjuntamente.

A entrada dos fármacos no organismo pode ocorrer por aplicação direta no tecido-alvo ou por meio da corrente sanguínea. No segundo caso, assim que são ingeridos, os medicamentos viajam por todo o organismo até encontrar receptores em que se encaixam, de acordo com a forma complementar com a qual foram criados.

Para facilitar a compreensão, imagine que os medicamentos são as chaves e os receptores são as fechaduras. O fármaco “abrirá” somente fechaduras específicas para as quais ele foi projetado para se conectar.


“No nosso organismo, existem os chamados receptores, que seriam as fechaduras, enquanto os medicamentos funcionam como as chaves. Independente da via de administração utilizada, o medicamento circula pela corrente sanguínea e só consegue se encaixar nos receptores com formato compatível, exatamente como acontece entre uma chave e uma fechadura”, explica o farmacêutico clínico Tarcísio Palhano, assessor da Presidência do Conselho Federal de Farmácia (CFF).


Por outro lado, as características do medicamento e do tecido-alvo podem beneficiar ou dificultar o encontro do remédio com o receptor. “Por exemplo, medicamentos altamente lipossolúveis (afinidade por gorduras) têm entrada facilitada no tecido cerebral”, exemplifica a farmacêutica Mariana Alcântara Araújo Vieira, professora da Universidade Católica de Brasília (UCB).


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A interação “chave-fechadura” exclusiva também irá depender dos atributos do fármaco. Alguns medicamentos não seletivos podem atuar em vários tecidos quando entram no organismo, o que pode provocar efeitos adversos no indivíduo.


“Por exemplo, o propranolol é um medicamento cardíaco não seletivo que também é capaz de se ligar a receptores do tecido pulmonar, e por isso não deve ser usado por pacientes asmáticos”, diz Mariana.


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