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Médico explica sintomas mais comuns do câncer gástrico

Os sinais de alerta do câncer de estômago muitas vezes são confundidos com desconfortos simples, atrasando o diagnóstico.

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Médico explica sintomas mais comuns do câncer gástrico

A queimação no estômago é uma queixa frequente após as refeições e, muitas vezes, atribuída à gastrite. O problema é que sintomas digestivos recorrentes podem mascarar doenças mais graves. Especialistas reforçam que observar sinais de alerta pode fazer diferença no diagnóstico precoce do câncer de estômago.

O câncer de estômago é um dos mais incidentes no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgados em fevereiro deste ano, mostram que ele é o quarto mais comum entre homens, atrás dos de próstata, cólon e reto e pulmão.

Doença silenciosa

O câncer gástrico geralmente se desenvolve sem sintomas claros no início, o que dificulta o diagnóstico precoce.

“Muitos pacientes chegam com a doença em estágio avançado porque os sintomas iniciais são inespecíficos, como azia, perda de apetite ou sensação de estômago cheio”, explica o oncologista Mauro Donadio, da Oncoclínicas. Segundo ele, qualquer sintoma digestivo persistente deve ser investigado, principalmente em pessoas com fatores de risco.

Principais sintomas do câncer de estômago

Quando os sintomas aparecem, os mais comuns são:

  • Perda de peso sem explicação;
  • Náuseas constantes;
  • Sensação de saciedade precoce;
  • Indigestão frequente;
  • Dificuldade para engolir;
  • Inchaço abdominal após as refeições;
  • Vômitos, com ou sem sangue;
  • Fezes escuras ou com sangue;
  • Dor ou desconforto abdominal persistente;
  • Anemia e fadiga sem causa aparente.

Esses sintomas também podem ocorrer em gastrites e úlceras, mas a persistência é um importante sinal de alerta no estômago.

Gastrite não é algo banal

Muitas pessoas convivem com gastrite sem buscar tratamento, o que pode aumentar o risco em alguns casos. O oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, explica que o câncer gástrico tem origem multifatorial. Hábitos alimentares inadequados, tabagismo, álcool, predisposição genética e infecção pela bactéria Helicobacter pylori estão entre os principais fatores envolvidos.

“Ninguém deve ignorar sintomas digestivos frequentes. Nem toda gastrite evolui para câncer, mas inflamações crônicas associadas à bactéria podem gerar alterações celulares pré-cancerígenas”, destaca.

Tipos e evolução

O tipo mais comum de câncer de estômago é o adenocarcinoma, responsável por cerca de 95% dos casos. Ele pode ser classificado em intestinal, mais associado à H. pylori, e difuso, geralmente mais agressivo e ligado a mutações genéticas.

Com a progressão, o tumor pode ultrapassar a parede do estômago, atingir órgãos próximos e se espalhar para outras partes do corpo.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico do câncer é feito por biópsia durante a endoscopia digestiva alta. O exame permite visualizar o interior do estômago e coletar amostras para análise. Se houver confirmação, exames de imagem ajudam a definir o estágio da doença.

O tratamento varia conforme estágio e condições clínicas do paciente e pode incluir:

  • Cirurgia;
  • Quimioterapia;
  • Radioterapia;
  • Terapias-alvo e imunoterapia.

Quando o diagnóstico é feito cedo, as chances de controle são significativamente maiores. Em fases iniciais, a sobrevida em cinco anos pode ultrapassar 70% a 90%. Em casos metastáticos, esse índice cai de forma importante.

Prevenção

Reduzir riscos envolve:

  • Não fumar;
  • Evitar álcool em excesso;
  • Diminuir sal e ultraprocessados;
  • Priorizar frutas e vegetais;
  • Investigar e tratar H. pylori;
  • Fazer acompanhamento médico em caso de histórico familiar.

Por Bianca Queiroz