
A preocupação da população após a morte de um jovem em Rolim de Moura (RO), vítima de meningite bacteriana, levou a Secretaria Municipal de Saúde de Cacoal (Semusa) a esclarecer informações importantes sobre a doença e afastar rumores de um possível surto na região.
Durante entrevista concedida à TV Suruí Cacoal, canal 15.1, a coordenadora de Vigilância em Saúde do município, Ivani Gromann, explicou que a meningite não é exatamente uma doença específica, mas sim uma inflamação das membranas que revestem o cérebro, podendo ser causada por diversos fatores, como vírus, bactérias, fungos e até traumas.
Segundo a coordenadora, o termo “ite” sempre está relacionado a inflamação. Assim como gastrite representa inflamação no estômago e otite no ouvido, meningite é a inflamação das meninges, membranas responsáveis por proteger o cérebro.
Ivanir destacou que existem diferentes tipos de meningite, sendo as mais comuns causadas por vírus, bactérias e fungos. Entre elas, a meningite meningocócica é considerada uma das mais graves, porém atualmente possui cobertura vacinal disponibilizada pelo Governo Federal, o que reduziu drasticamente os casos fatais.

Dados levantados pela Vigilância em Saúde apontam que, entre os anos de 2015 e 2025, foram registrados 184 casos de meningite em Cacoal e em toda a Macro Região 2, que engloba municípios atendidos pela estrutura de saúde local. Desses casos, 15 evoluíram para óbito, representando cerca de 8% das notificações.
Entretanto, conforme explicou a coordenadora, nenhum desses óbitos foi causado por meningite meningocócica. No período analisado, houve apenas quatro registros desse tipo específico da doença, sem nenhuma morte.
Já em 2026, até o momento, foram contabilizados cinco casos de meningite na Macro 2, sendo um em Cacoal e quatro em outros municípios. O único óbito registrado foi o do jovem de Rolim de Moura, cuja suspeita inicial aponta para uma meningite causada por estafilococos, bactéria comum presente naturalmente na pele e nas mucosas humanas.
A coordenadora ressaltou que ainda existem investigações complementares para compreender o que levou ao agravamento do quadro clínico do paciente, incluindo possíveis fatores relacionados à imunidade.
Outro ponto destacado durante a entrevista foi o descarte de suspeitas envolvendo outros casos recentes divulgados na região. Uma professora que havia sido internada com suspeita da doença teve diagnóstico descartado, enquanto outro paciente inicialmente tratado como possível meningite estava, na verdade, relacionado a consequências de um acidente de trânsito.
Ivanir reforçou que não existe surto de meningite em Cacoal ou na região da Macro 2 e alertou para a importância da vacinação em dia, alimentação adequada, sono regulado e fortalecimento da imunidade.
Segundo ela, a população não deve entrar em pânico, mas precisa manter atenção aos sintomas e buscar atendimento médico diante de sinais persistentes como febre alta, rigidez na nuca, dores intensas e alterações neurológicas.
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Nelson Salles da Redação O Minuto Notícia – Informação é Poder!