
O mercado físico do boi gordo encerrou o mês de abril com muitas indústrias passando a se ausentar da compra de gado, informa a consultoria Safras & Mercado. Os frigoríficos avaliam as melhores estratégias a serem adotadas no curtíssimo prazo.
Nesta quinta-feira (30/4), o indicador do boi gordo Cepea/Esalq registrou a cotação de R$ 354,45 a arroba, acumulando uma queda de 0,44% em abril.
O aumento da oferta de boiadas continuava. Segundo a Scot Consultoria, embora não houvesse excesso de oferta, o cenário estava mais cômodo em relação aos últimos dias, o que permitiu aos compradores alongar as escalas de abate e ganhar poder de barganha nas negociações.
Com a véspera do feriado do Dia do Trabalhador (1º de maio), a estabilidade dominou os negócios. Das 33 regiões pecuárias monitoradas pela Scot, 30 não tiveram alterações no preço do boi gordo na comparação diária. Houve quedas apenas em Belo Horizonte, Goiânia e oeste do Maranhão.
Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, o preço do boi gordo seguiu em R$ 360 a arroba para o pagamento a prazo. As cotações do “boi China”, da novilha e da vaca também não tiveram alterações.
“O alongamento das escalas de abate é perceptível em diversos Estados, com destaque para o atual posicionamento em Goiás e em Minas Gerais, onde a condição das pastagens é ruim. No Mato Grosso e no Norte do país, com pastos mais vigorosos, o que se evidencia é uma situação de escala menos favorável”, destaca o analista Fernando Iglesias, da Safras.
Além disso, parte dos compradores, após alongar suas escalas, saiu do mercado e passou a aguardar novos movimentos, afirma a Scot. Com isso, a ponta vendedora encontrava um leque menor de compradores ativos, o que reduzia a concorrência pela boiada e ampliava o poder de negociação daqueles que estavam ativos.
Nesse contexto, as indústrias avaliavam reduzir as ofertas de compra na próxima semana, a depender do desempenho das vendas durante o feriado e o fim de semana.
Por Marcelo Beledeli — Porto Alegre