O Transtorno do Espectro Autista tem origem genética e envolve deficiências na comunicação e na interação social dos pacientes, podendo ser diagnosticado de diversas formas. Uma delas está relacionada ao rastreamento ocular dos bebês.
O estudo, conduzido pelo neurocientista brasileiro Ami Klin, foi aprovado em 2023 e expandiu a qualidade e rapidez dos exames para o reconhecimento do transtorno.
Em entrevista para o News da 19h, o pesquisador explicou que a ciência relacionada à pesquisa foi desenvolvida há 20 anos, mas utiliza de tecnologias atuais como o rastreamento ocular a fim de medir como as crianças enxergam e aprendem sobre o mundo social.
“As medidas são feitas 120 vezes ao segundo, então a quantificação de dados é muito grande. Então a criança vê vídeos de outras crianças, de 10 a 12 minutos, e todos os dados — coletados durante a exibição do curta— são analisados automaticamente [...] O que acontece no autismo é que as crianças nascem com um engajamento diminuído nessa atenção preferencial ao estímulo social, a atenção para as pessoas”, explica o neurocientista.
Sabendo que o diagnóstico e a intervenção precoce nos pacientes autistas podem ser determinantes para a qualidade de vida, o pesquisador enfatizou que esse método apresenta a acessibilidade que a população precisa.
Além da facilidade desse formato, o neurocientista ressalta a importância do estudo, afirmando que as crianças autistas perdem oportunidades de aprendizagem social por estarem com os olhos voltados ao ambiente físico e logo se distraírem.
“Enquanto que crianças típicas olham principalmente para os olhos das outras pessoas ou para a comunicação não-verbal das outras crianças, crianças com autismo, desde o primeiro ano de vida, tendem a orientar a sua atenção à parte física do ambiente. Então, elas perdem essa dança recíproca que elas precisam engajar com o cuidador, com outras pessoas para desenvolver as capacidades sociais de comunicação”, afirma.
“O que nós fazemos com o Early Point, que é o nome desse dispositivo, é que nós medimos momento a momento as divergências das crianças com autismo. Enquanto as crianças típicas estão aprendendo socialmente aquilo que elas estão focalizando, aquilo que elas estão vendo, as crianças com autismo estão perdendo essas oportunidades de aprendizado social porque elas estão prestando atenção para as coisas que são irrelevantes”, completa Ami Klin.