Depois de semanas de desencontros e especulações sobre o papel de cada um no palanque bolsonarista, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro começa, finalmente, a ganhar espaço na campanha do enteado e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.
Segundo fontes da equipe de Flávio ouvidas pelo Metrópoles, Michelle, que concorre ao Senado pelo Distrito Federal, deve aparecer ao lado do senador em três eventos durante a corrida eleitoral. Essa é a previsão até o momento.
Nessa terça-feira (11/8), em clima de reconciliação durante gravações de propaganda eleitoral do PL, em Brasília, o presidenciável declarou, ainda, que a madrasta poderá ter “acesso direito à Presidência” para levar demandas do DF, caso ambos sejam eleitos.
A aposta seria transformar a força de Michelle nas redes sociais em uma espécie de cabo eleitoral digital de Flávio. Sendo assim, vídeos, publicações e manifestações favoráveis ao senador devem ser o principal instrumento de apoio da ex-primeira-dama.
Nos bastidores da campanha, a equipe também espera que ela ajude a aproximar lideranças femininas do PL e do movimento conservador. A ideia, ainda segundo a fonte, é ampliar o engajamento em torno da candidatura de Flávio.
Linha do tempo da crise entre Flávio e Michelle
24/6 — Michelle expõe a crise em vídeo. Ela disse que Flávio foi “muito ríspido” e a desrespeitou por telefone ao discutir o palanque do PL no Ceará; era contra a aproximação com Ciro Gomes e defendia Eduardo Girão. Também negou que estivesse exigindo pedidos de desculpas;
24/6 — Flávio nega desrespeito e faz primeiro pedido de desculpas, de forma condicional. Na mesma noite, afirmou nunca ter humilhado Michelle — “Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai” — e disse que, caso a tivesse ofendido, pedia desculpas;
29/6 — publicação de Michelle amplia o desgaste. Ela compartilhou um vídeo de Anthony Garotinho sobre supostas festas de Daniel Vorcaro e escreveu “A verdade de Jesus vai prevalecer”; aliados interpretaram a postagem como indireta a Flávio. Garotinho depois negou relação de seu post com o senador;
30/6 — Michelle deixa o comando do PL Mulher. Ela anunciou a saída da presidência da ala feminina após conversar com Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto. Alegou que queria se dedicar “integralmente” ao marido e à filha. A decisão se deu no auge da crise com Flávio;
1º/7 — Flávio faz aceno, mas volta a rebater Michelle. Em encontro com mulheres, elogiou a atuação dela no PL Mulher e pediu união; Michelle não foi e, segundo aliados, preferia manter distância da pré-campanha. No mesmo evento, ele a chamou de “completamente desinformada” pela postagem sobre Vorcaro;
2/7 — Valdemar tenta pacificação; Michelle sinaliza desistência do Senado. O presidente do PL disse que tentou apaziguar a relação entre os dois. Michelle, porém, afirmou estar “cansada” da política e sinalizou que não deveria disputar o Senado pelo DF — posição que mudou posteriormente;
3/7 — crise isola Michelle entre parlamentares do PL. O Metrópoles apurou que a maioria dos congressistas da sigla tendia a ficar com Flávio; Damares Alves foi o apoio público mais explícito à ex-primeira-dama. A orientação entre aliados do senador era evitar novos ataques públicos;
3/7 — Flávio evita citar Michelle e diz estar fortalecido. Em evento do PL no Rio, o presidenciável não mencionou a madrasta e afirmou estar “mais forte que nunca e com a cabeça erguida” para disputar a Presidência;
Até 11/7 — Flávio grava pedido público de desculpas e Michelle aceita. Depois da primeira reação, o senador publicou um vídeo em que pediu desculpas pela repercussão e lamentou o desconforto. Michelle disse que não havia disputa pessoal, negou racha familiar e afirmou que trabalharia ao lado dele;
11/7 — Jair Bolsonaro intervém pela união do grupo. Em carta divulgada por Flávio, o ex-presidente pediu aos aliados para “deixarmos de lado as possíveis diferenças” e chamou o filho de sua “melhor opção” para a Presidência. A manifestação veio na sequência da crise e da tentativa de reconciliação;
2/8 — Michelle não comparece à convenção do PL em Brasília. Flávio voltou de viagem à Paraíba com a expectativa de encontrá-la no evento, que confirmou Michelle como candidata ao Senado pelo DF. Segundo o Blog do Noblat, ela faltou porque estava doente e internada.
Michelle e Flávio se reencontram
Nessa terça, o senador e a ex-primeira-dama estiveram juntos pela primeira vez desde a reconciliação. No período da manhã, ao comentar sobre a presença de Michelle, Flávio afirmou que ela poderá exercer um papel de interlocução com um eventual governo comandado por ele.
“Ela é uma pessoa qualificada e, com certeza, será uma grande representante. Ela terá acesso direto à Presidência da República para levar as demandas do Distrito Federal”, afirmou Flávio.
O senador também citou a atuação de Michelle junto à comunidade surda durante o período em que ela ocupou o posto de primeira-dama. Segundo ele, o trabalho desenvolvido por ela ampliou a atenção dada ao grupo.
Ela também expressou a vontade de ter visto uma mulher como vice-candidata na chapa do senador
Michelle evitou, ainda, comentar sobre a relação com os outros enteados — como Carlos e Eduardo Bolsonaro. Questionada pelo Metrópoles ainda nessa terça, ela afirmou que está “ajustando, aos poucos”, a relação com os filhos do ex-presidente
Álvaro Luiz, Maria Laura Giuliani