
O aumento da mistura de biodiesel no diesel derivado de petróleo é sustentável e terá peso mínimo no bolso do consumidor. A avaliação é do presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Jerônimo Goergen, em comunicado divulgado via internet.
A proporção atual é de 15%. Goergen afirma que o aumento para 16% (B16) não causaria elevação do valor final do combustível para o consumidor. Se a mistura for para 17% (B17), o preço poderia subir até 3 centavos por litros, mas a isenção de tributos como Pis e Cofins anularia esse repasse na bomba.
“Tanto no caso do B16, quanto do B17, o efeito é pequeno e pode ser totalmente compensado pela isenção de PIS/Cofins sobre o biodiesel, assim como já ocorreu com o diesel derivado de petróleo”, argumenta Goergen. “Esse pequeno efeito considera a substituição do diesel importado pelo biodiesel nacional”, acrescenta.
A defesa do aumento da mistura de biodiesel, por parte da cadeia produtiva, ganhou força depois que a guerra no Oriente Médio levou a uma disparada dos preços do petróleo no mercado internacional. A ideia seria conter o aumento do combustível, além de valorizar a produção nacional de energia renovável.
Com o encarecimento do preço do óleo diesel e até mesmo relatos de escassez no abastecimento em algumas regiões do país, o governo anunciou, nesta semana, medidas para tentar evitar uma piora da situação. Entre as ações, a isenção cobrança de Pis e Cofins sobre o derivado de petróleo.
Mas o Ministério de Minas e Energia descartou a possibilidade de um aumento imediato na mistura de biodiesel. Argumentou que são necessários mais testes, que devem ser feitos ainda neste primeiro semestre.
Em seu comunicado, o presidente da Aprobio, Jeronimo Goergen, afirma que não há problema na realização de mais testes com o biodiesel. Desde que sejam ágeis e avancem sem atrasos. E reforça que o aumento da mistura é viável, especialmente se estiver de acordo com a Lei Combustível do Futuro e a Reforça Tributária.
“Com a meta de evoluir futuramente para B20, teremos uma composição equilibrada entre biodiesel e diesel importado, fortalecendo a produção nacional e garantindo mais autonomia ao país na matriz de combustíveis”, diz ele.
Por Raphael Salomão — São Paulo