
O medo de falar, a sensação de abandono e as reclamações sobre a falta de segurança marcaram a visita da equipe de reportagem ao distrito de Riozinho, em Cacoal (RO). Após informações que começaram a circular sobre supostos disparos e possível atuação de integrantes de facção criminosa na localidade, a reportagem foi até o distrito para ouvir moradores e comerciantes.
No local, várias pessoas demonstraram receio de conceder entrevistas gravadas e houve confirmação de que nunca foi de fato, tiroteio entre facções. Segundo os relatos colhidos pela equipe do jornal eletrônico O Minuto Notícia, existe medo de represálias contra quem denuncia ou reclama publicamente da situação vivida no distrito, o que foi também noticiado por outros canais de informação.
Sobre o episódio inicialmente tratado como possível “tiroteio entre facções”, a informação recebida pela reportagem no Riozinho apresenta uma versão diferente: moradores relataram que um homem estaria pulando muros enquanto outro indivíduo o perseguia efetuando disparos. Não há, até o momento, confirmação oficial dessa dinâmica.
A Polícia Militar informou anteriormente que a Central de Operações não recebeu chamado pelo 190 relacionado ao suposto tiroteio. A equipe policial que esteve posteriormente no distrito também não recebeu de moradores ou comerciantes, durante aquela ocorrência, relatos sobre disparos, ameaças ou cobrança de dinheiro atribuída a facções.
Durante a apuração no Riozinho, nenhum comerciante confirmou para a reportagem que de fato, há cobranças de facções criminosas. A reportagem levantou informações de que há de fato muito medo entre a população que questiona o poder público sobre a falta de policiamento constante nas ruas do distrito, que fica distante em torno de 10 km da sede do município.
Além de necessário, é importante destacar que os relatos apresentados à reportagem e não significam, por si só, comprovação da existência ou não, de cobrança sistemática, além de envolvimento de determinada organização criminosa neste tipo de crime no local.
A própria Polícia Militar informou que não recebeu dos comerciantes abordados pela guarnição denúncia relacionada à chamada “caixinha”, extorsão ou ameaça atribuída a facções.
Segundo alguns moradores ouvidos pela reportagem, há relatos de residências que já teriam sido de fato invadidas e furtadas no distrito, mas que não há comprovação de ação de determinada facção criminosa.
Outra reclamação generalizada, é a demora no atendimento, quando há solicitação via 190. As reclamações ouvidas pela reportagem não ficaram restritas à segurança pública. Várias pessoas ouvidas classificaram o Riozinho como um distrito “completamente abandonado” e também fez críticas à administração municipal e aos serviços públicos oferecidos à comunidade.
“O sentimento encontrado pela equipe durante a visita foi principalmente de medo e insegurança. Pessoas conversaram reservadamente com a reportagem e todas pediram para não serem identificadas”.
Outro ponto levantado pelos moradores é a situação do policiamento no distrito. Eles reclamam que a base da Polícia Militar no Riozinho não oferece o atendimento permanente que consideram necessário para a comunidade.
A demora no atendimento aos chamados, relatada pelas pessoas, é o ponto alto das reclamações sobre a falta de segurança no Riozinho.
Da Redação

É importante, contudo, diferenciar essa reclamação dos episódios ainda não comprovados envolvendo suposta atuação de facção. A reportagem registra as denúncias dos moradores, mas não atribui a qualquer organização criminosa a autoria de cobranças, ameaças ou disparos sem que exista confirmação das autoridades responsáveis pela investigação.
O que pôde ser constatado durante a presença da equipe no Riozinho foi o receio de parte dos moradores em falar publicamente e uma forte cobrança por maior presença do poder público e das forças de segurança.
Ninguém quis gravar áudio e muito menos vídeos.
CAP PM fala sobre a divulgação do tiroteio

Um oficial da Polícia Militar se manifestou a respeito das informações divulgadas sobre um suposto tiroteio e possíveis cobranças de dinheiro a comerciantes no Distrito do Riozinho, em Cacoal.
Segundo o capitão da PM, após as informações ganharem repercussão, policiais estiveram na localidade e conversaram com diversos moradores. Conforme relatado pelo oficial, não foram encontrados, até o momento, elementos que confirmem a ocorrência do suposto tiroteio.
De acordo com o capitão, moradores relataram ter visto um homem correndo pelo distrito. O indivíduo chegou a ser abordado pela Polícia Militar e, segundo a manifestação, não declarou que alguém tivesse atirado contra ele. Os moradores ouvidos pela equipe também não teriam relatado ter escutado disparos.
O capitão ponderou ainda que informações dessa natureza precisam ser cuidadosamente verificadas antes de serem tratadas como fatos confirmados, principalmente diante do impacto que relatos envolvendo facções, tiros e ameaças podem provocar na comunidade.
Sobre as informações de possíveis cobranças de dinheiro a comerciantes por pessoas que se apresentam como integrantes de facções, a Polícia Militar informou que também não obteve, durante as conversas realizadas no local, elementos suficientes para confirmar a prática.
O oficial ressaltou, porém, que tentativas de golpes e outras situações criminosas podem ocorrer e devem ser comunicadas às autoridades, para que sejam devidamente investigadas.
Diante da manifestação da Polícia Militar, O Minuto Notícia esclarece que os relatos envolvendo suposto tiroteio e cobranças a comerciantes devem, neste momento, ser tratados como informações não confirmadas oficialmente.
O portal reafirma seu compromisso com a apuração responsável e permanece aberto aos moradores, comerciantes e às forças de segurança para novos esclarecimentos e informações que possam contribuir para a correta compreensão dos fatos.
Nelson Salles da Redação
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