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Moraes suspende visitas de Flávio a Bolsonaro por 90 dias e aciona MP Eleitoral

Por meio de nota o advogado Tracy Reinaldet, que atua na pré-campanha de Flávio, alegou que a decisão é inconstitucional e viola direitos do preso

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Ministro viu descumprimento de regras em carta de Bolsonaro ao eleitorado. (Foto:André Coelho/EFE)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes suspendeu as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por 90 dias.

A decisão é desta segunda-feira (13) e ocorre após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acionar o magistrado por conta de uma carta aberta de Bolsonaro ao eleitorado de direita, confirmando Flávio como seu substituto no pleito. Com isso, o procurador-geral Eleitoral também foi acionado "para ciência e adoção das medidas cabíveis".

"A conduta de Flávio Bolsonaro, como instrumento de promoção política de sua pré-candidatura a presidente da República, com a utilização de expressões de carga semântica equivalente a pedido explícito de voto, pode configurar propaganda eleitoral antecipada em período eleitoral vedado pela legislação, devendo ser apurada pelo Ministério Público Eleitoral", diz o ministro.

Por meio de nota o advogado Tracy Reinaldet, que atua na pré-campanha de Flávio, alegou que a decisão é inconstitucional e viola tanto direitos do preso quanto direitos do advogado.

Após PT apontar desobediência, defesa deve informar se Bolsonaro sabia da divulgação da carta

Em seu pedido, Lindbergh alegou que o suposto descumprimento justificaria a revogação da prisão domiciliar humanitária. Também houve a solicitação para que Flávio pagasse uma multa de R$ 100 mil por ato atentatório à dignidade da Justiça.

"A pretensão declarada é a de estabelecer canal permanente de comunicação política do condenado com o eleitorado, por interposta pessoa, durante todo o período eleitoral, o que esvaziaria por completo a eficácia das medidas impostas por este Juízo e transformaria a prisão domiciliar em palanque", diz o petista.

Para Moraes, há o descumprimento de uma das condições para a prisão domiciliar: a "proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros".

"Não há dúvidas, portanto, de que a conduta irregular de Flávio Nantes Bolsonaro desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita", justificou.

Com isso, a defesa também deve prestar esclarecimentos sobre o suposto descumprimento em 48 horas, "informando, inclusive, se o condenado tinha ciência da divulgação da carta do senador".

Para o ministro, no entanto, já há indícios de que Bolsonaro sabia da divulgação, uma vez que flávio diz em seu vídeo, que o texto é "um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação".

Moraes usa ato em Copacabana para dizer que Flávio é reincidente

Para afirmar que Flávio é "reincidente em sua conduta desrespeitosa às decisões judiciais", Moraes relembrou de um episódio ocorrido em agosto de 2025, durante um ato em Copacabana em que Bolsonaro falou ao telefone com os manifestantes.

O episódio rendeu ao ex-presidente sua primeira prisão domiciliar, mas não na ação do suposto golpe, e sim no inquérito que apura suposta obstrução à Justiça na atuação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos pela aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.

Por Vinicius Macia da Gazeta do Povo

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