O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (11) que não há clima no Congresso para aprovar uma anistia ampla, geral e irrestrita que beneficie o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe. Em entrevista à Revista Veja, Motta destacou a gravidade das acusações que envolvem planejamento para matar autoridades, o que, segundo ele, inviabiliza o perdão. “Não sei se há ambiente para anistiar quem agiu dessa forma, penso que não” , declarou.
Apesar da posição contrária, o parlamentar defendeu que a proposta de anistia seja amplamente debatida e afirmou que, caso haja maioria no colégio de líderes, a medida poderá ser pautada. Ele frisou que a presidência da Câmara não obstruirá matérias que tenham apoio suficiente, mas ressaltou que a busca é por consensos.
A crise política se agravou após bolsonaristas ocuparem as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado na semana passada. Motta avaliou que o ato reduziu o apoio às pautas da oposição, citando que mais de 400 parlamentares rejeitam esse tipo de obstrução. O episódio levou PL e centrão a se unirem para tentar votar mudanças no foro privilegiado e projetos que limitem ações do STF.
No entanto, ministros do Supremo avaliam que eventual alteração no foro não beneficiaria Bolsonaro, já que o julgamento do caso está previsto para setembro, com a fase de alegações finais já avançada.
Motta também criticou duramente o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), licenciado e nos Estados Unidos, por articular com aliados de Donald Trump para que o governo norte-americano pressione o Brasil a absolver o ex-presidente. Ele associou essa atuação ao chamado tarifaço de Trump, que afeta exportações brasileiras. “Eduardo Bolsonaro poderia até defender a inocência do ex-presidente, mas nunca atentar contra o país. Nem seus eleitores concordam com isso” , afirmou.
O caso de Eduardo deverá ser analisado pelo Conselho de Ética da Câmara. Da Redação do O Minuto Notícia – Informação é Poder!