
Na segunda-feira, muita gente já pensa: “quando chegar sexta...”. Na quarta, começa a contagem regressiva. E quando finalmente chega o fim de semana, parece que queremos colocar dentro de dois dias tudo aquilo que não conseguimos viver durante cinco.
Queremos descansar, passear, comer alguma coisa diferente, visitar alguém, assistir a um filme, ir à igreja, levar as crianças para brincar, encontrar os amigos, dormir um pouco mais. Cada família tem seu jeito. Mas, no fundo, existe uma expectativa comum: queremos viver momentos que façam bem.
E talvez esteja aí uma reflexão importante.
A sociologia nos ensina que a família é um dos primeiros espaços de convivência e socialização do ser humano. É dentro de casa que aprendemos muito sobre respeito, limites, solidariedade, diálogo e pertencimento. Só que a vida moderna trouxe uma contradição interessante: moramos cada vez mais perto uns dos outros e, algumas vezes, convivemos cada vez menos.
Estamos na mesma casa, mas cada um diante de uma tela. Estamos sentados à mesma mesa, mas cada um olhando para o próprio celular. Temos dezenas ou centenas de contatos nas redes sociais, mas nem sempre encontramos tempo para conversar demoradamente com quem está ao nosso lado.
O filósofo Aristóteles dizia que o ser humano é, por natureza, um ser social. Nós precisamos do outro. Precisamos conversar, compartilhar, rir, ouvir e também sermos ouvidos. Uma vida construída apenas em torno do trabalho, das obrigações e das preocupações pode até ser produtiva, mas dificilmente será completa.
Por isso, neste fim de semana, talvez não seja necessário fazer algo extraordinário.
Faça alguma coisa juntos.
Prepare o almoço em família. Tome um café sem pressa. Visite os pais ou os avós. Leve as crianças para andar de bicicleta. Vá a uma praça. Faça uma caminhada. Prepare uma pipoca e escolha um filme. Vá à igreja. Jogue conversa fora na varanda. Desligue o celular por algum tempo e pergunte para alguém dentro da sua própria casa: “Como você está?”
E tenha disposição para ouvir a resposta.
A Bíblia apresenta uma imagem muito bonita no Salmo 133: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!”
E há também uma frase conhecida do livro de Eclesiastes: “Melhor é serem dois do que um” (Eclesiastes 4:9).
São textos antigos, mas profundamente atuais. Eles nos lembram de algo que a correria frequentemente nos faz esquecer: a vida ganha significado quando é compartilhada.
Talvez daqui a alguns anos seus filhos não se lembrem do modelo do telefone que tinham, da televisão da sala ou do preço das coisas que você comprou. Mas poderão se lembrar daquele domingo em que todos fizeram almoço juntos. Da pescaria que quase não deu peixe. Da viagem simples. Da brincadeira. Das histórias contadas pelos avós. Da mesa cheia. Das risadas.
Porque são essas pequenas experiências que, silenciosamente, vão formando aquilo que chamamos de memória afetiva.
E existe ainda outra passagem bíblica muito apropriada para este momento: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Salmo 90:12).
Contar os nossos dias não significa viver preocupado com o tempo que falta. Significa perceber o valor do tempo que temos.
Então, neste fim de semana, não espere apenas que alguma coisa boa aconteça. Construa alguma coisa boa com as pessoas que você ama.
Nem todo programa precisa custar dinheiro. Nem todo encontro precisa ser sofisticado. Às vezes, aquilo que uma família mais necessita não é de um lugar diferente para ir, mas de tempo para permanecer junta.
A segunda-feira chegará novamente. O trabalho continuará. As contas continuarão chegando. Os compromissos estarão esperando.
Mas até lá, temos um fim de semana pela frente.
Que ele tenha descanso, diversão e alegria. Mas que tenha, principalmente, presença.
Porque dinheiro pode comprar muita coisa. A tecnologia pode aproximar grandes distâncias. O trabalho pode construir patrimônio.
Mas existem coisas que continuam sendo insubstituíveis:
uma mesa compartilhada, uma boa conversa, um abraço verdadeiro e a presença de quem amamos.
Que tenhamos todos um excelente fim de semana — mais próximos, mais presentes e mais família.
Por Nelson Salles da Redação
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