Neymar, camisa 10 do Santos, no jogo contra o Vasco — Foto: Mauricio De Souza/AGIF
Falta um longo caminho. Mas, na noite de quinta-feira, Neymar tratou de exibir, em dois lances, a categoria dos “velhos tempos” para viver a primeira noite de destaque nos meses que antecedem a convocação final da seleção brasileira para a Copa do Mundo. Carlo Ancelotti certamente gostou (pelo menos dos melhores momentos).
Foram dois belos gols – o segundo, um golaço de cavadinha com a perna esquerda – para decidir a vitória por 2 a 1 sobre o Vasco, na Vila Belmiro, e aliviar a pressão sobre o Santos de Juan Pablo Vojvoda no Campeonato Brasileiro.
Depois de quatro rodadas, a equipe, enfim, pode comemorar a primeira vitória na competição e deixar a zona de rebaixamento, projetando um futuro mais calmo e promissor depois da queda precoce na fase quartas de final do Campeonato Paulista.
Por falar em futuro, a noite de quinta serve para alimentar as expectativas sobre Neymar.
O camisa 10 ainda não é brilhante e está longe de merecer uma convocação para os amistosos de março. No entanto, no terceiro jogo em 2026, o meia-atacante justificou em duas oportunidades a alcunha de craque e por que discute-se a possibilidade de levá-lo para o Mundial.
Ao contrário do jogo contra o Novorizontino no fim de semana, Neymar voltou pouco para buscar a bola.
Quando tentou algo longe da área de definição dos lances, falhou: como um passe errado logo na primeira jogada da partida ou uma arrancada facilmente desarmada por Paulo Henrique na ponta esquerda.
Foi mais próximo do gol que Neymar conseguiu ser efetivo. Ser o Neymar que pode ajudar o Santos e, naturalmente, a seleção brasileira na busca pelo hexacampeonato.
Aos 24 minutos, com a bola no meio, Neymar soltou rápido para Gabriel Bontempo, que arrancou e achou Moisés.
O camisa 10 atacou o espaço vazio e recebeu de volta, sem forçar qualquer jogada. O passe foi aproveitado com a “velha categoria” de sempre: um tapa colocado preciso e fora do alcance de Léo Jardim.Neymar, porém, testemunhou do campo a “velha irregularidade” do Santos, que só vencera três partidas em 2026 antes desta quinta-feira. Aos 42 minutos, Miguelito perdeu a bola, o Vasco aproveitou espaço e empatou com Cauan Barros dentro da área.
O cenário de pressão ressurgia, e até Neymar parecia sentir. O meia-atacante se envolveu em uma confusão com Thiago Mendes e tentou até cavar de maneira meio patética a expulsão do volante, chamado de “babaca” pelo santista em entrevista concedida no intervalo.
A chave parecia virar e as críticas serem reforçadas, mas um vacilo da defesa do Vasco serviu para Neymar novamente exibir os motivos pelos quais é considerado craque.
Aos 15 minutos da etapa final, dois defensores vascaínos se confundiram e tocaram de cabeça para trás. O camisa 10, completamente livre, deu uma cavadinha de canhota e decretou a vitória.
Os dois lances de brilho vão estampar as manchetes e os programas de televisão. É pouco para justificar uma convocação, mas uma amostra do potencial a ser atingido.
Neymar novamente jogou 90 minutos. No terceiro jogo no ano, recém-operado, novamente mostrou que é diferente dos outros.
Ainda dá tempo de convencer Carlo Ancelotti para junho?
Por José Edgar de Matos — Santos, SP