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Nome indicado ao BC articulou mudanças no mercado financeiro

Texto propunha alterações nas regras do sistema financeiro e foi discutido internamente no partido.

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Nome indicado ao BC articulou mudanças no mercado financeiro

O economista Guilherme Mello, indicado pelo ministro Fernando Haddad, da Fazenda, para uma diretoria do Banco Central, foi um dos coordenadores de um plano do PT publicado em 2020 que propunha mudanças no papel da autoridade monetária e a regulação do fluxo de capitais do mercado financeiro. Ao lado do então presidente da Fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante, o “Plano de Reconstrução e Transformação do Brasil” foi elaborado como uma proposta econômica alternativa ao governo de Jair Bolsonaro (PL) e acabou servindo de base para o programa de governo de Lula na eleição de 2022.

Mello é, atualmente, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e foi indicado por Haddad para uma das duas vagas abertas na diretoria da autoridade monetária. O nome dele, no entanto, é visto com desconfiança pelo mercado financeiro por conta da proximidade e militância com o PT e por seu perfil ideológico.

“Além de reverter o processo desmonte do estado brasileiro, será necessário torná-lo mais forte e presente, capaz de responder democraticamente e de maneira eficaz às necessidades do país e aos justos anseios da maioria pobre e excluída de nosso povo. A reconstrução do Brasil exige fortalecer a democracia, traumatizada pelos processos do golpe de 2016 e da cassação da candidatura Lula em 2018”, diz o texto de abertura do plano (veja na íntegra) assinado por Mercadante e pela então presidente do partido, Gleisi Hoffmann (PT-PR), hoje ministra das Relações Institucionais.

No plano para mudar as regras do mercado financeiro, o PT defende um Estado mais ativo e presente na economia, com forte crítica aos governos anteriores e às instituições atuais. Mello e Mercadante, junto de outros técnicos e economistas, propõem ampliar o papel do Banco Central para além do controle da inflação.

“O Banco Central precisará de instrumentos adequados para cumprir seu papel institucional, que deve ser ampliado para incluir a preocupação com o nível de emprego e com a estabilidade monetária e econômica”, diz um dos trechos.

O documento também defende mudanças no regime de metas de inflação, com maior peso para o chamado núcleo da inflação, que exclui preços mais voláteis, como combustíveis. O plano sugere a criação de um novo indicador para orientar a taxa Selic, mas não detalha qual índice seria adotado.

Outro ponto central é a cobrança para que o Banco Central leve em conta a redução das desigualdades sociais em suas decisões. O PT afirma que a autoridade monetária “não pode ser alheia ao grave problema das múltiplas dimensões da desigualdade no Brasil (raça, gênero e renda)”.

O plano petista ainda propõe aumento da concorrência no sistema bancário e medidas para evitar a sobrevalorização do câmbio, que, segundo o diagnóstico do partido, contribuiu para a desindustrialização do país nas últimas décadas. Nesse contexto, o documento defende a regulação dos fluxos de capital como instrumento de política econômica.

“Para retomar o desenvolvimento será imprescindível desarmar as armadilhas do passado que sustentaram longos períodos de juros altos e câmbio sobrevalorizado”, diz o texto que propõe “regulação inteligente sobre os fluxos de entrada e saída de capital”.

Isso porquê, segundo o documento, o modelo vigente favorece a obtenção de lucros elevados pelos bancos, mas não cumpre adequadamente a função de financiar o consumo e o investimento produtivo. Para o PT, essa dinâmica limita o crescimento econômico e impõe altos custos ao setor produtivo e às famílias, sobretudo por meio de spreads bancários elevados e crédito restrito.

Por Guilherme Grandi