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Novas estratégias ampliam combate à dengue, leishmaniose e Chagas

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Novas estratégias ampliam combate à dengue, leishmaniose e Chagas

A intensificação das mudanças climáticas tem alterado o comportamento dos mosquitos transmissores de doenças tropicais, ampliando sua distribuição geográfica e tornando mais difícil o controle de enfermidades como dengue, leishmaniose e doença de Chagas.

Para o biólogo Rodrigo Gurgel Gonçalves, professor da Universidade de Brasília (UnB), o cenário exige respostas diferentes das adotadas até hoje. “As mudanças de temperatura e precipitação afetam diretamente os ecossistemas e a biologia dos vetores. Isso já está impactando o risco de transmissão de várias doenças”, disse ele durante o 24º Congresso Brasileiro de Infectologia, realizado em Florianópolis, entre os dias 16 a 19 de setembro. O especialista apontou que o aumento da temperatura global favorece a densidade de mosquitos, o que pode elevar em até 35% a incidência de dengue em algumas regiões. Falhas do controle tradicional Segundo Rodrigo, os métodos mais antigos, como visitas domiciliares, fumacê (aplicação de inseticidas em forma de fumaça) e eliminação de criadouros, não foram capazes de impedir o avanço da dengue. “A epidemia de 2024 foi a maior da história, com mais de 6 milhões de casos e mais de 4 mil mortes. Além disso, a doença chegou a áreas onde não circulava, como Santa Catarina”, afirma. Diante desse quadro, diferentes tecnologias vêm sendo testadas no país. Uma delas é o método Wolbachia, em que mosquitos recebem uma bactéria capaz de reduzir pela metade a capacidade de transmitir dengue, zika e chikungunya.

Outra estratégia é a borrifação residual intradomiciliar, aplicada em locais estratégicos, como escolas e unidades de saúde. Nesse método, inseticidas de ação prolongada são pulverizados nas paredes e superfícies internas, de modo que os mosquitos que pousarem nessas áreas sejam eliminados, podendo reduzir em até 96% a densidade dos insetos. Inovações em outras doenças No caso da doença de Chagas, pesquisadores vêm apostando na vigilância comunitária. Moradores fotografam insetos suspeitos e enviam as imagens para plataformas de inteligência artificial, que já alcançam 93% de acerto na identificação de barbeiros. “Qualquer pessoa com um celular pode ajudar a monitorar a presença dos vetores e receber orientações”, destacou o professor. Para a leishmaniose, além do uso de mosquiteiros impregnados e coleiras repelentes em cães, estão em teste armadilhas com feromônios que atraem os flebotomíneos, conhecidos como mosquitos-palha, para superfícies tratadas com inseticidas. As novas alternativas, segundo Rodrigo, mostram que há caminhos para enfrentar o desafio crescente das doenças tropicais negligenciadas.

“As mudanças climáticas aumentam a exposição aos vetores e os métodos tradicionais falharam. Precisamos lutar para que as inovações em vigilância e controle sejam incorporadas e fortaleçam os sistemas de saúde”, defende. Por Ravenna Alves