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Nutricionista destaca benefícios da linhaça para o intestino

Rica em fibras e compostos bioativos, a linhaça pode melhorar o trânsito intestinal e ajudar no equilíbrio metabólico. Saiba quanto comer.

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Nutricionista destaca benefícios da linhaça para o intestino

A linhaça deixou de ser coadjuvante nas saladas e ganhou espaço como aliada do intestino. Rica em fibras, ômega 3 vegetal e lignanas, a semente tem respaldo científico principalmente quando o assunto é constipação.

Segundo a nutricionista Maria Clara Bertone, de Brasília, o principal nutriente da linhaça com impacto comprovado é a fibra. “A semente é rica em fibras solúveis e insolúveis. Essa combinação melhora o trânsito intestinal, aumenta a frequência evacuatória e melhora a consistência das fezes”, explica.

Ela destaca que a parte solúvel forma um gel no estômago, aumentando a saciedade, enquanto a parte insolúvel aumenta o volume fecal, mecanismo essencial para regular o intestino. Mas a nutricionista faz um alerta: sem água suficiente, o efeito pode ser o contrário do esperado.

Fibra é o que realmente faz diferença

Além das fibras, a linhaça contém ácido alfa-linolênico (ALA), o ômega 3 vegetal. No entanto, Maria Clara esclarece que ele não tem o mesmo efeito do ômega 3 encontrado em peixes como salmão e sardinha. “O ALA precisa ser convertido em EPA e DHA, ácidos graxos essenciais da família ômega-3, no organismo, e essa conversão é baixa”, afirma.

Outro destaque são as lignanas, compostos fenólicos com ação antioxidante e leve efeito fitoestrogênico. No intestino, elas são transformadas pela microbiota em enterolignanas, que podem modular o metabolismo do estrogênio e auxiliar mulheres no climatério.

Como a linhaça age no intestino?

Para o nutricionista Renato França, a linhaça não é “superior a todas as sementes”, mas está entre as fibras com melhor evidência clínica para constipação, ao lado de chia e psyllium.

Ele explica que o efeito ocorre em três frentes:

  • Ação Mecânica: aumento do volume do bolo fecal e retenção de água, facilitando a evacuação;
  • Fermentação pela microbiota: produção de ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, que estimulam o movimento intestinal e têm efeito anti-inflamatório;
  • Modulação da microbiota: consumo regular favorece maior diversidade bacteriana, associada à melhor saúde do cólon.

Estudos randomizados já demonstraram que o consumo diário pode reduzir escores de constipação e melhorar parâmetros metabólicos, como glicemia e perfil lipídico.

Inteira ou triturada?

Um erro comum é consumir a semente inteira. A casca é resistente à digestão e pode atravessar o trato gastrointestinal praticamente intacta.

“O ideal é triturar próximo ao consumo para aumentar a biodisponibilidade dos nutrientes”, orienta Renato. Caso seja triturada em maior quantidade, deve ser armazenada em recipiente fechado na geladeira por até 48 horas.

A recomendação habitual é de uma a duas colheres de sopa por dia, começando com menor quantidade para adaptação.

O risco aparece quando há aumento de fibra sem ajuste na hidratação. Segundo França, isso pode causar fezes mais ressecadas e, em casos específicos, até impactação fecal. A orientação geral de ingestão hídrica fica entre 35 e 40 ml de água por quilo de peso corporal ao dia.

Linhaça dourada ou marrom?

Do ponto de vista intestinal, não há diferença relevante. A composição nutricional é semelhante. A escolha pode ser feita pelo sabor (a dourada é mais suave), ou pelo preço.

Quando o intestino preso é sinal de alerta?

Ir ao banheiro entre três vezes ao dia e três vezes por semana é considerado dentro da normalidade, desde que não haja dor ou esforço excessivo. Mudança recente e persistente do hábito intestinal, sangue nas fezes, perda de peso inexplicada ou dor intensa são sinais que exigem investigação médica.

Apesar dos benefícios, os nutricionistas reforçam: a linhaça não resolve tudo sozinha. Ela funciona melhor dentro de um padrão alimentar equilibrado, com frutas, verduras, feijão, água adequada e atividade física regular. Não existe superalimento, existe contexto alimentar.

Por Bianca Queiroz

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