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O grito e a presunção, são da arrogância, enquanto a ponderação e o silêncio, são da sabedoria

Há pessoas que não precisam de muitos minutos para revelar aquilo que são no seu interior. A reatividade da radioatividade humana.

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Basta uma contrariedade. Uma informação incompleta. Uma pergunta mal compreendida. Um pequeno atraso. Uma palavra atravessada. E, antes mesmo de procurar saber o que realmente aconteceu, explodem.

Julgam antes de conhecer. Acusam antes de ouvir. Condenam antes de compreender.

A arrogância, a soberba e a presunção possuem uma característica em comum: fazem o indivíduo acreditar que sua primeira impressão é necessariamente a verdade. Ele não pergunta — sentencia. Não investiga — conclui. Não escuta — reage.

E depois, quando finalmente conhece os fatos, pode descobrir que construiu uma tempestade em torno de algo que sequer existia da maneira como imaginou.

O problema é que palavras lançadas pela precipitação não retornam intactas.

Uma frase dita em segundos pode destruir uma relação construída durante anos.

A tradição filosófica associada a Sócrates deixou uma das mais importantes lições sobre a inteligência humana: reconhecer os limites do próprio conhecimento.

A conhecida ideia socrática — popularmente sintetizada na expressão “só sei que nada sei” — representa justamente o contrário da presunção.

O sábio pergunta.

O presunçoso presume.

O sábio procura compreender.

O arrogante acredita que já compreendeu tudo.

Existe uma enorme diferença entre possuir convicções e acreditar-se incapaz de estar enganado. A primeira condição demonstra firmeza; a segunda pode revelar soberba.

E talvez uma das formas mais perigosas de ignorância seja justamente aquela que não sabe que ignora.

Os estoicos também compreenderam profundamente o perigo das reações impulsivas.

Sêneca, filósofo romano que dedicou uma obra inteira à ira, enxergava esse estado como algo capaz de sequestrar a razão. Quando a ira assume o comando, aquilo que deveria ser conduzido pela inteligência passa a ser governado pelo impulso.

É exatamente o que acontece com quem reage explosivamente sem conhecer os fatos.

Primeiro explode.

Depois pergunta.

Primeiro ofende.

Depois verifica.

Primeiro machuca.

Depois tenta explicar.

Mas a ordem deveria ser exatamente inversa.

Conhecer primeiro.

Compreender depois.

E somente então responder.

Porque nem toda provocação merece resposta, nem toda impressão corresponde à realidade e nem tudo aquilo que chega aos nossos ouvidos chegou completo.

A Bíblia já advertia sobre isso

Muito antes das discussões modernas sobre inteligência emocional, as Escrituras apresentavam um princípio extraordinariamente atual:

“Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha.”

Provérbios 18:13

Poucas frases descrevem tão precisamente a precipitação humana.

Responder sem ouvir não é demonstração de força.

É imprudência.

Outro conselho bíblico vai ainda mais longe:

“Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.”

Tiago 1:19

Observe a ordem: ouvir, falar e controlar a ira.

A sociedade contemporânea frequentemente faz exatamente o contrário: reage, fala e, somente depois, tenta ouvir.

É por isso que tantos conflitos que poderiam terminar em uma conversa acabam transformados em rompimentos, humilhações e ressentimentos.

A explosão também comunica quem somos

Quando alguém reage de maneira desproporcional a uma situação que sequer conhece completamente, talvez esteja dizendo muito mais sobre si mesmo do que sobre aquele contra quem está reagindo.

É relativamente fácil demonstrar educação quando tudo acontece conforme nossa vontade. Difícil é conservar respeito quando somos contrariados. É fácil parecer equilibrado quando recebemos elogios.

A verdadeira medida do equilíbrio aparece quando recebemos uma informação desagradável, enfrentamos uma frustração ou acreditamos ter sido injustiçados.

Humildade não é fraqueza

Existe ainda uma confusão perigosa: algumas pessoas imaginam que baixar o tom, perguntar antes de acusar ou admitir um erro representa fraqueza. É exatamente o contrário.

É preciso força interior para controlar aquilo que gostaríamos de dizer no calor do momento.

É preciso maturidade para reconhecer: “Talvez eu ainda não tenha todas as informações.”

É preciso grandeza para dizer: “Eu estava errado.”

O arrogante dificilmente consegue pronunciar essas palavras porque sua preocupação não é somente descobrir a verdade — é preservar a própria imagem.

A humildade, por outro lado, não diminui ninguém.

A humildade impede que nossa ignorância se transforme em injustiça.

A Bíblia resume essa relação entre orgulho e queda de maneira contundente:

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda.”
Provérbios 16:18

A arrogância precisa anunciar sua presença.

A soberba precisa demonstrar superioridade.

A presunção acredita saber antes de perguntar.

A sabedoria, porém, não tem essa pressa.

Ela escuta.

Ela observa.

Ela pondera.

E somente depois responde.

Porque quem realmente possui grandeza não precisa explodir para demonstrar força.

Às vezes, o maior sinal de inteligência é justamente ter motivos para reagir — e ainda assim escolher primeiro compreender.



Nelson Salles da Redação

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