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O veneno da perseguição e a perversão da autoridade; confundiu a posição

Há pessoas extremamente reativas! Superlativamente egocêntricas e dotadas de malignidade. E se tiverem poder, vão complicar e buscar destruir todos que discordam delas!

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Nelson Salles é apresentador de TV e de rádio. Trabalha na imprensa em Rondônia, desde 1994

Há males que se apresentam de forma explícita e brutal. Outros, porém, vestem-se de formalidade, ocupam cargos respeitáveis, sentam-se em gabinetes, dirigem instituições, empresas, repartições públicas e estruturas de poder. Entre estes últimos encontra-se uma das manifestações mais corrosivas da degradação moral humana: a perseguição deliberada de pessoas inocentes.

O perseguidor raramente se enxerga como vilão. Ele costuma justificar seus atos sob o discurso da disciplina, da hierarquia, da gestão, da liderança ou da defesa de interesses superiores. Contudo, por trás da retórica elegante, esconde-se frequentemente um comportamento marcado pela crueldade psicológica, pela vaidade desmedida, pelo abuso de poder e pela satisfação mórbida de ver o outro sofrer. Estamos vendo e sentindo na pele, este tipo de comportamento nos dias atuais, em Cacoal.

A filosofia há muito se debruça sobre esse fenômeno.

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche observou que muitos indivíduos encontram prazer não na construção, mas na dominação. Para ele, o ressentimento pode transformar-se numa força destrutiva, levando pessoas a dedicarem suas energias não ao crescimento próprio, mas à tentativa de diminuir, humilhar ou destruir aqueles que consideram ameaças.

Hannah Arendt, uma das maiores pensadoras do século XX, alertou para o perigo da banalização do mal. Segundo ela, nem sempre o mal é praticado por monstros caricatos. Muitas vezes ele nasce da normalização de comportamentos injustos, executados por pessoas comuns que se acostumam a usar sua posição para ferir, excluir e perseguir sem qualquer remorso.

Michel Foucault dedicou grande parte de sua obra a estudar as relações de poder. Demonstrou que o poder, quando não encontra limites éticos, tende a transformar-se em instrumento de vigilância, controle e punição.

O perseguidor não deseja apenas exercer autoridade; ele deseja que os outros sintam permanentemente o peso de sua autoridade.

O filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortella frequentemente lembra que poder sem ética degenera em arrogância. E a arrogância, quando associada à autoridade, converte-se numa das formas mais perigosas de injustiça social, pois permite que decisões pessoais sejam mascaradas como decisões institucionais.

Do ponto de vista psicológico, esse comportamento pode estar associado ao narcisismo, ao autoritarismo e à necessidade patológica de validação.

O perseguidor não suporta a independência alheia. Não tolera pessoas livres, críticas ou competentes. Sua maior necessidade é demonstrar superioridade. Sua satisfação reside em controlar, intimidar e subjugar.

Por isso, a perseguição raramente nasce da força. Ela quase sempre nasce da fraqueza moral.

Quem possui verdadeira grandeza não precisa humilhar ninguém para ser respeitado.

Quem possui verdadeira autoridade não precisa perseguir para ser obedecido.

Quem possui verdadeira liderança não precisa destruir reputações para preservar a própria.

A história humana está repleta de exemplos de perseguidores que confundiram cargo com caráter, posição com virtude e autoridade com licença para praticar injustiças.

A Bíblia também é contundente ao tratar desse tema.

Em Provérbios 6:16-19, encontramos uma das mais severas advertências das Escrituras:

"Estas seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos."

O texto é revelador. Entre as atitudes mais detestadas por Deus estão justamente aquelas praticadas pelo perseguidor: a arrogância, a mentira, a perversidade planejada e a criação deliberada de conflitos.

O Salmo 37 também oferece um alerta que atravessa os séculos:

"Os ímpios puxam da espada e entesam o arco para derrubar o pobre e necessitado, para matar os que seguem o caminho reto. Mas a sua espada lhes traspassará o próprio coração."

Já em Isaías 10:1-3, há uma condenação direta aos que utilizam o poder para oprimir:

"Ai dos que decretam leis injustas e dos que escrevem decretos opressores."

A mensagem é clara: o poder utilizado para perseguir inocentes não representa força; representa corrupção moral.

A sociedade costuma admirar os vencedores, mas a história costuma julgar os perseguidores.

  • Governantes passaram.
  • Chefes passaram.
  • Diretores passaram.
  • Autoridades passaram.
  • Mas a memória das injustiças permaneceu.

Existe uma diferença monumental entre ser temido e ser respeitado. O perseguidor geralmente conquista o primeiro e perde para sempre o segundo.

Sua presença contamina ambientes, destrói talentos, gera adoecimento emocional, espalha medo e sufoca a criatividade. Onde ele prospera, a confiança desaparece. Onde ele governa, instala-se a cultura do silêncio. Onde ele age, o mérito cede espaço à bajulação e à submissão.

Por isso, é preciso reconhecer uma verdade fundamental: pessoas que utilizam cargos, funções ou posições hierárquicas para perseguir inocentes representam uma ameaça não apenas aos indivíduos que sofrem suas ações, mas à própria integridade das instituições que afirmam representar.

Nenhuma organização sobrevive indefinidamente quando a perseguição substitui a justiça.

Nenhum governo prospera quando o medo substitui a liberdade.

Nenhuma liderança permanece legítima quando o abuso substitui a ética.

O perseguidor imagina controlar o destino dos outros. Mas, no fim, acaba revelando ao mundo aquilo que verdadeiramente é.

E não existe sentença mais severa do que essa. A exposição do próprio caráter.


Por Nelson Salles

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