
Em ano eleitoral, é comum assistir a uma transformação quase instantânea de muitos políticos. De repente, surgem os sorrisos constantes, os discursos cuidadosamente ensaiados, as visitas aos bairros, os abraços, as fotografias e as promessas que parecem capazes de resolver, em poucos anos, problemas que se arrastam há décadas.
É justamente nesse momento que o eleitor precisa exercer sua maior virtude: a capacidade de analisar.
A Bíblia já advertia: "Pelos seus frutos os conhecereis." (Mateus 7:16). Não pelos discursos, não pelas campanhas publicitárias, não pelas redes sociais. Pelos frutos.
Aristóteles ensinava que "somos aquilo que repetidamente fazemos". O filósofo lembrava que o caráter não se revela em momentos de conveniência, mas na constância das atitudes.
Quem passou anos ocupando posições de influência deixou marcas. Essas marcas precisam ser observadas antes que novas promessas sejam aceitas sem questionamento.
Também Sêneca escreveu que "o poder não transforma o homem; apenas revela quem ele realmente é." A autoridade amplia virtudes quando elas existem, mas também evidencia defeitos quando eles já fazem parte da personalidade.
O eleitor não pode se deixar conduzir apenas pela emoção do momento. A boa comunicação impressiona. O marketing encanta. A tecnologia cria imagens quase perfeitas. Porém, nenhuma dessas ferramentas substitui uma pergunta simples: o que essa pessoa fez quando teve oportunidade de fazer?
A gratidão, a humildade, a capacidade de ouvir, o respeito às diferenças, a serenidade diante das críticas e o compromisso com o interesse público não aparecem apenas durante a campanha. São características percebidas ao longo da trajetória de uma vida pública.
É saudável que todo cidadão examine o histórico dos candidatos. Como trataram as pessoas? Cumpriram compromissos assumidos? Demonstraram equilíbrio nas decisões? Trabalharam pensando na coletividade ou apenas em projetos pessoais? Esses questionamentos fortalecem a democracia.
A democracia não depende apenas de boas opções. Ela depende, sobretudo, de eleitores atentos.
Não entregue seu voto a uma boa aparência. Não decida apenas por frases de efeito ou vídeos emocionantes. Investigue. Compare. Leia. Pergunte. Converse. Observe.
Quem deseja governar um Estado precisa, antes de tudo, demonstrar equilíbrio, responsabilidade, espírito público e respeito pelas pessoas. Essas qualidades não surgem durante a campanha; elas acompanham a pessoa durante toda a sua caminhada.
No fim das contas, as eleições passam. Os discursos terminam. As propagandas desaparecem. Mas as consequências do voto permanecem por muitos anos.
Por isso, antes de acreditar em qualquer promessa, conheça a história. Antes de confiar nas palavras, observe as atitudes. E antes de escolher um nome, examine o caráter.
Porque o futuro de Rondônia será, em grande parte, o reflexo das escolhas que seus cidadãos fizerem nas próximas eleições e em todos os dias, neste estado.
Da Redação
Acredito que esse editorial cumpre um papel importante: convida o eleitor à reflexão sem personalizar o debate nem transformar a opinião em ataque a alguém. Sejamos conscientes nas nossas escolhas e radicalmente analíticos.
Nelson Salles
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