A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um alerta nessa segunda feira (17/11) sobre o avanço de cigarros eletrônicos e outros dispositivos à base de nicotina entre adolescentes.
A entidade pediu que governos implementem regras claras para limitar o acesso e reduzir a dependência, especialmente em um momento em que a indústria busca novos consumidores.
Durante a abertura da 11ª Conferência da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), em Genebra, na Suíça, o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que escolas têm se tornado um dos principais pontos de entrada desses produtos. Segundo ele, empresas do setor enxergam crianças e adolescentes como público estratégico para ampliar o mercado.Indústria mira jovens e amplia riscos à saúde
Dados apresentados pela organização mostram que o consumo de tabaco entre jovens caiu cerca de um terço nas últimas duas décadas. Para a OMS, essa tendência levou fabricantes a investir em dispositivos como cigarros eletrônicos descartáveis, bolsas de nicotina e produtos aquecidos, divulgados como alternativas menos nocivas. A entidade, no entanto, afirma que essas estratégias reforçam a dependência e criam novos ciclos de uso.
A estimativa é de que ao menos 15 milhões de adolescentes de 13 a 15 anos utilizem cigarros eletrônicos atualmente. Tedros enfatizou que não há comprovação de benefícios desses dispositivos para a saúde pública e que as evidências disponíveis apontam danos associados ao uso contínuo.
Ainda durante o encontro, a OMS afirmou que os 180 países que participam da convenção devem avaliar propostas para evitar que mais pessoas desenvolvam dependência de nicotina e para blindar as políticas públicas das narrativas de redução de risco usadas pela indústria do tabaco. Segundo Tedros, esses produtos seguem uma lógica comercial que busca lucro, não a proteção da saúde.
A recomendação da organização é que todos os países adotem regulações para cigarro eletrônico, tabaco aquecido e outras formas de nicotina que, no mínimo, igualem o rigor aplicado ao cigarro tradicional. A entidade avalia que ações coordenadas podem conter o avanço desses dispositivos e evitar que novas gerações se tornem dependentes.
Por Ravenna Alves