A Polícia Civil de Rondônia, por meio do Departamento de Narcóticos (DENARC), deflagrou a Operação “Metáfora – Fase II”, batizada de “Desmame”, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida no tráfico interestadual de drogas.
De acordo com as investigações, o grupo era responsável pela movimentação de mais de 1,5 tonelada de entorpecentes oriundos da fronteira com a Bolívia, com distribuição para estados da região Centro-Oeste. A ofensiva policial cumpre, ao todo, 81 medidas cautelares, sendo 24 mandados de prisão preventiva e 57 de busca e apreensão.
As ações ocorrem de forma simultânea em Rondônia, Goiás e no Distrito Federal. No território rondoniense, os trabalhos se concentram em Porto Velho, Guajará-Mirim e Vilhena. Já em Goiás, os mandados são cumpridos em Goiânia e Aparecida de Goiânia, enquanto no Distrito Federal as diligências se estendem por Brasília e Ceilândia.
As investigações, iniciadas em abril de 2025, revelaram uma estrutura criminosa altamente organizada, com elevado grau de sofisticação logística. O grupo utilizava caminhões com compartimentos ocultos — os chamados “mocós” — e, segundo apurado, adotava linhas telefônicas estrangeiras para dificultar a atuação dos órgãos de inteligência e repressão.
No núcleo da organização está o investigado identificado pelas iniciais A.H.P.R., conhecido como “Bebê”, apontado como peça central no fornecimento de entorpecentes. Conforme a Polícia Civil, ele mantinha vínculo direto com a estrutura criminosa atuante no Estado, exercendo papel estratégico tanto no abastecimento quanto na articulação do tráfico interestadual.
Paralelamente às prisões e buscas, a operação também atua no estrangulamento financeiro do grupo. Foram identificadas interpostas pessoas, conhecidas como “laranjas”, utilizadas para ocultação de valores ilícitos. Um dos alvos teria movimentado cerca de R$ 500 mil no período de um ano, quantia considerada incompatível com sua capacidade econômica declarada.
As medidas judiciais incluem ainda bloqueio de ativos e outras ações patrimoniais, visando enfraquecer a base financeira da organização criminosa e impedir a continuidade das atividades ilícitas.
A operação reforça o trabalho integrado das forças de segurança no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado, evidenciando a complexidade e a capilaridade dessas estruturas criminosas que atuam além das fronteiras estaduais.