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Para especialistas, demanda de mercado ajuda a impulsionar pesquisas agrícolas

No ‘Vozes do Agro’, produtores, pesquisadores e indústria mostraram ganhos mútuos que o trabalho conjunto entre setor produtivo e academia pode materializar

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Para especialistas, demanda de mercado ajuda a impulsionar pesquisas agrícolas

Em 1999, um pequeno grupo de produtores rurais decidiu se unir para, em conjunto, avaliar os resultados práticos das tecnologias disponíveis no mercado naquele momento. No ano seguinte, esse time de pioneiros fundou o Grupo Associado de Pesquisas do Sudoeste Goiano (Gapes), uma das mais bem-sucedidas iniciativas de cooperação técnica entre produtores rurais do país.

O trabalho do Gapes virou referência no campo. Neste ano, as 43 famílias que integram o grupo colheram, na safrinha de milho, 156 sacas do grão por hectare, em uma área de cultivo de 90 mil hectares, ou 50 sacas por hectare a mais do que a média nacional. Na colheita da soja, a média foi de 77 sacas por hectare, em uma área de 140 mil hectares. A média nacional é de cerca de 60 sacas.

“Isso mostra que investir em pesquisa e também em união, em associação, vale a pena”, disse Flávia Montans, sócia-proprietária da Fazenda Alvorada, de Rio Verde (GO), durante o painel “Os negócios que movem Goiás”, que fez parte da programação do “Vozes do Agro”, que a “Globo Rural” realizou na terça-feira (2/12) em Goiânia. Até o início desta semana, a produtora foi também presidente do Gapes.

O grupo tem intensificado seus estudos sobre agricultura regenerativa e, no ano passado, conquistou seu reconhecimento formal como Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT). Isso abre caminho para o Gapes candidatar-se a receber recursos federais para pesquisa — opção de financiamento em que o grupo está apenas engatinhando, reconhece a produtora.

As discussões do painel atestaram não só o papel central que ciência e tecnologia têm para o avanço do agro, mas também a importância da colaboração entre produtores, pesquisadores e indústria. “Pesquisa é a base da prosperidade e do desenvolvimento. Ela tem que ser política de Estado”, opinou Alcido Wander, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão.

O mercado ajuda a dar direção às pesquisas, que, por sua vez, pode oferecer novas soluções para produtores e consumidores. Wander deu o exemplo do arroz, que, segundo ele, é hoje, dos principais grãos que o Brasil cultiva, o que está em situação mais problemática: há arroz de sobra no mundo e o Brasil teve uma supersafra, o que deixou os preços no campo abaixo do custo de produção. Na outra ponta, o consumo tem caído.

“A indústria de alimentos pode ter um olhar diferenciado para produtos como arroz, feijão, alimentos ‘de verdade’. Se o consumo está caindo, podemos desenvolver outros produtos, saudáveis, com esses itens”, afirmou.

Há pesquisas com objetivos de curto prazo, mas também as que consideram horizontes de muitos anos, ou mesmo de décadas, como as de melhoramento genético, ele observou. “O setor produtivo pode custear parte de suas pesquisas. É factível, viável, mas não para todos os tipos de pesquisa”, disse. “Os trabalhos de produtores, universidades, institutos de pesquisa e da Embrapa são complementares, assim como os das empresas privadas, que têm o objetivo de obter a tecnologia e de comercializá-la”.

É com pesquisa e tecnologia que Goiás tem recuperado seu espaço na produção nacional de leite, contou Luiz Cláudio Lorenzo, presidente da Piracanjuba, um dos maiores laticínios do país. “Há quatro anos, a média no Estado, quando era boa, chegava a 25, 26 litros de leite por vaca ao dia [em propriedades tecnificadas]. Hoje é comum vermos animais com média de 40 litros por dia”, relatou.

Por Danton Boatini Júnior e Patrick Cruz — Goiânia e São Paulo


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