
Em 1981, uma apresentação de estudantes, em uma sala da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), marcou, sem que ninguém soubesse, o primeiro show da que se tornaria uma das maiores bandas do rock brasileiro: os Paralamas do Sucesso. Mais de quarenta e cinco anos depois, os músicos retornaram ao campus para receber uma das mais altas honrarias da instituição.
A UFRRJ concedeu o título de doutor honoris causa ao cantor e guitarrista Herbert Vianna, ao baixista Bi Ribeiro, ao baterista João Barone, e ao tecladista João Fera, que acompanha os Paralamas desde 1987. A cerimônia reuniu estudantes, professores, funcionários e fãs, e teve uma apresentação musical dos homenageados.
Ao receber a homenagem, Bi Ribeiro ressaltou a influência da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro na história do grupo: “Os Paralamas não seriam os Paralamas se não fosse a Rural, disse ele, conforme o relato da Universidade.
Ribeiro entrou no curso de Zootecnia em 1979. Foi apresentado por um colega a João Barone e, depois a João Fera. O baixista lembrou da relação da sua família com a UFRRJ. Sua mãe, Lucinda Nóbrega, é professora e integrante da Associação dos Docentes. E sua irmã estudou agronomia na instituição.
"Receber esse título foi uma coisa única, uma coisa que a gente nunca imaginou que pudesse acontecer. Mas tem tudo a ver porque a gente é filho da Rural. Se não fosse a Rural a gente não estaria aqui. Aqui fizemos os primeiros shows", ressaltou o músico, em entrevista para o núcleo de comunicação social da instituição.

Agora doutor, João Barone cursava Biologia quando os Paralamas começaram. "O tempo foi passando e ganhamos nossa pós-graduação no rock brasileiro. Com um show após o outro, um disco após o outro. E isso aconteceu com aquela banda de nome esquisito, que surgiu aqui na Universidade Rural", disse ele, em discurso de agradecimento.
Barone destacou também que a criação dele foi toda em Seropédica e que a universidade foi a casa dos Paralamas do Sucesso. "Muito emocionante receber esse título de uma universidade que tem toda essa tradição, um lugar sempre voltado para reafirmar o Brasil e a nossa qualidade científica", disse ao núcleo de comunicação social da UFRRJ,
"Isso tudo é fundamental na nossa trajetória, na essência da nossa banda. Se eu pudesse, eu ficaria ajoelhado agradecendo a uma cerimônia tão profunda e tão significativa", disse Herbert Viana, ao discursar.
'Filho de Seropédica'
Nascido em Seropédica, o tecladista João Fera falou de sua infância na cidade e a proximidade com a universidade. Lembrou que sua mãe lavava as roupas de estudantes da Rural e que foi batizado em uma capela no campus. Recordou a admiração que sentia pela instituição quando era jovem e destacou a emoção de retornar ao local como homenageado:
“Eu imaginava assim: será que um dia eu poderia entrar aí? Quando eu poderia imaginar que, de repente, 40 anos depois, estaria eu aqui junto com esses caras recebendo um título, uma homenagem?”, afirmou.
"Inacreditável o que eu vivi hoje aqui. É uma vida. Recebi não só como o João Fera tecladista, porque minha vida aqui vem de muito antes", acrescentou, em entrevista ao núcleo de comunicação da UFFRJ.
O título de Doutor Honoris Causa é uma das mais altas distinções de uma universidade. Com a honraria, a instituição considera que a trajetória do homenageado ultrapassou os limites de sua área de atuação e gerou impacto relevante para a sociedade.
A concessão para Os Paralamas do Sucesso foi proposta pela Pró-Reitoria de Extensão (Proext), por meio do Departamento de Arte e Cultura, em setembro de 2025, e recebeu aprovação do Conselho Universitário (Consu) em março deste ano, como reconhecimento à contribuição dos músicos para a arte. E destaca também o ambiente acadêmico como espaço de expressão da cultura popular.
Por Iara Venancio — São Paulo