
Na manhã do último sábado, dia 29 de março, dezenas de mulheres tomaram as ruas de Cacoal (RO) em uma mobilização marcada por emoção, resistência e um clamor coletivo por justiça. A passeata pelo fim da violência contra a mulher reuniu vítimas, familiares, representantes da segurança pública e mulheres de diversos segmentos sociais, em um movimento que reforça a urgência do enfrentamento ao feminicídio.
O ato, organizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, teve como principal objetivo sensibilizar a sociedade e fortalecer a luta contra todas as formas de violência de gênero. Com palavras de ordem e mensagens diretas, as participantes destacaram que o silêncio ainda é um dos maiores inimigos na luta pela proteção das mulheres.
“A gente diz que o silêncio mata, e nós queremos viver sem medo. É uma campanha a nível nacional e Cacoal está unida nesse combate a todo tipo de violência contra a mulher”, destacou uma das representantes do Conselho durante a mobilização.
O movimento ocorre em um cenário preocupante. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que, em 2025, o Brasil registrou 1.460 casos de feminicídio entre janeiro e dezembro — um número que evidencia o agravamento da violência no país. Rondônia, por sua vez, figura entre os estados com índices alarmantes, ocupando posições preocupantes nos rankings nacionais.
A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), também participou da ação, reforçando a importância da denúncia e da conscientização. A instituição destacou que muitas vítimas ainda não reconhecem situações de violência e reforçou que a delegacia permanece de portas abertas para acolhimento e orientação.

Outro ponto de destaque foi a fala da presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, que chamou atenção para o recorte racial da violência. Segundo dados apresentados, mulheres negras representam entre 62,6% e 63,6% das vítimas de feminicídio no Brasil entre os anos de 2021 e 2024, evidenciando uma desigualdade estrutural que agrava o cenário.
“Não podemos nos silenciar. As mulheres negras são as maiores vítimas e nós estamos aqui para dizer que queremos viver”, enfatizou.
Durante o percurso pelas principais ruas do centro comercial de Cacoal, manifestantes utilizaram camisetas, cartazes e faixas com frases como “Não é não”, “Queremos viver sem medo” e “O silêncio mata”, transformando o espaço urbano em um palco de conscientização e resistência.
O ato reforça que o enfrentamento à violência contra a mulher exige não apenas ações institucionais, mas também o engajamento da sociedade como um todo, em um compromisso contínuo com a proteção da vida, da dignidade e dos direitos das mulheres.
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