
A Polícia Federal apura se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil apesar de uma determinação judicial que o proíbe de sair do país. Nesta terça-feira, 27 de outubro, o Metrópoles e a Folha de São Paulo publicaram relatos de pessoas próximas ao parlamentar segundo os quais ele estaria viajando para os Estados Unidos. As informações, entretanto, ainda não tinham confirmação oficial nas fontes consultadas.
O caso ganhou repercussão depois que a imprensa argentina noticiou uma possível passagem do senador pela fronteira, com a intenção de embarcar em um avião particular. Paralelamente, a Radioagência Nacional informou que a PF cancelou seus passaportes após o término do prazo de 24 horas para entregar os documentos, encerrado na manhã desta terça-feira.
Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, a Polícia Federal entrou em contato com autoridades argentinas para verificar um eventual deslocamento de Flávio por aeroportos do país vizinho. Fontes da corporação ouvidas pelo veículo disseram que não havia registro de passagem do senador pelos pontos regulares de migração brasileira. Essa ausência de registro, porém, não esclarece, por si só, seu paradeiro.
Na tarde desta terça-feira, a coluna Grande Angular, também do Metrópoles, informou que pessoas próximas à família confirmaram uma viagem aos Estados Unidos, com possível destino à Flórida. A Folha publicou versão semelhante, atribuída a aliados, mas ressaltou que o trajeto exato permanecia incerto.
A presença de um jato no aeroporto de Puerto Iguazú, mencionada nas reportagens, não comprova que o parlamentar tenha embarcado. O Aos Fatos destacou que não havia, até sua publicação, registro que demonstrasse a presença de Flávio naquele aeroporto ou sua travessia da fronteira.

Pela manhã, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, negou ao Metrópoles que ele tivesse deixado o território brasileiro. “Não saiu”, declarou. A negativa antecedeu as reportagens da tarde que apontaram uma viagem com base em interlocutores próximos à família.
O governo argentino também negou a entrada de Flávio no país e a existência de pedido de asilo, conforme informações da Bloomberg reproduzidas pela Euronews. As versões contraditórias mantêm em aberto as circunstâncias do suposto deslocamento.
De acordo com o Aos Fatos, a restrição está relacionada à investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam as acusações. Na segunda-feira, Flávio afirmou que cumpriria a determinação e contestou a medida, classificando-a como tentativa de intimidação, segundo o UOL.
Também é necessário distinguir o caso atual de imagens antigas compartilhadas nas redes sociais. Uma checagem da Reuters identificou que uma reportagem em vídeo sobre viagem de Flávio aos Estados Unidos era de maio de 2026 e vinha sendo apresentada de maneira enganosa como posterior à eleição. Esse material não comprova um deslocamento nesta semana.
Até o fechamento desta apuração, as fontes consultadas apresentavam relatos de viagem, negativas públicas e diligências policiais, sem confirmação oficial conclusiva sobre a suposta fuga de Flávio Bolsonaro. O Aos Fatos informou que procurou a assessoria do senador, mas não recebeu resposta até a publicação de sua reportagem.
Nelson Salles da Redação
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