O Grupo Fictor, que tentou comprar o Banco Master no ano passado, é alvo de uma nova operação da Polícia Federal que apura um esquema de fraudes financeiras contra a Caixa Econômica Federal que podem passar de R$ 500 milhões, e que pode ter ligação com o Comando Vermelho.
De acordo com informações confirmadas à Gazeta do Povo por fontes a par da investigação, entre os alvos da Operação Fallax estão o CEO do Fictor, Rafael Góis, e o ex-sócio Luiz Rubini, apontados como peças-chave no suposto esquema. A apuração foi iniciada em 2024 e identificou indícios de uma estrutura organizada voltada à obtenção de vantagens ilícitas dentro do sistema financeiro.
“O grupo criminoso atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas, inclusive vinculadas a grupo econômico específico, para a movimentação de valores e para a ocultação de recursos ilícitos”, explicou a Polícia Federal em nota.
Há a suspeita de que outros bancos foram atingidos pelo esquema. A Gazeta do Povo entrou em contato com a defesa do Grupo Fictor, com a Caixa Econômica Federal e com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) para se posicionarem sobre a operação e aguarda retorno.
Ao todo, estão sendo cumpridos 21 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo. As ações ocorrem em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Os mandados cumpridos no Rio de Janeiro têm como alvos pessoas ligadas à facção criminosa Comando Vermelho, investigadas neste mesmo esquema envolvendo o Fictor.
A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de bens, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros, até o limite de R$ 47 milhões. Até o momento, já foram apreendidos relógios de luxo, aparelhos eletrônicos e quantidades de dinheiro em espécie.
“A organização utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para dissimular a origem dos recursos ilícitos. Funcionários de instituições financeiras inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Posteriormente, os valores eram convertidos em bens de luxo e em criptoativos, com o intuito de dificultar o rastreamento”, detalhou a Polícia Federal.
A operação também autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas, ampliando o alcance das investigações. O objetivo é rastrear o fluxo financeiro e identificar todos os envolvidos no esquema.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional. Somadas, as penas podem ultrapassar 50 anos de prisão, caso haja condenação.
Fictor pediu recuperação após escândalo do Master
No começo do mês passado, o Grupo Fictor entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo afirmando ter dívidas acumuladas de R$ 4,3 bilhões por conta da tentativa frustrada de compra do Banco Master.
o Grupo Fictor atribui sua crise financeira a uma forte perda de credibilidade no mercado. A empresa afirma que a tentativa frustrada de compra do Banco Master desencadeou uma “crise reputacional” com impacto direto na liquidez.
“O pedido de recuperação judicial é consequência da crise de liquidez momentânea originada a partir de 18 de novembro do ano passado”, alegou.
A empresa sustenta que, após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master, “a reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado”, o que teria provocado uma onda de notícias negativas.
De acordo com a Fictor, até a véspera da liquidação do banco, o grupo havia recebido cerca de R$ 3 bilhões em aportes de seus sócios. Após esse episódio, os pedidos de resgate teriam alcançado aproximadamente 71% desse valor, pressionando ainda mais o caixa.
O grupo também informou que sofreu cortes e revisões de contratos comerciais em razão da perda de confiança. Como consequência, afirmou ter sido obrigado a vender ativos considerados estratégicos para tentar recompor sua posição financeira.
Por Guilherme Grandi
Por Juliet Manfrin