
Não dá nem para lamentar. Não dá para dizer que houve injustiça. Não dá nem para dizer que a derrota ocorreu jogando como Brasil. A Seleção está fora da Copa do Mundo, e o plano de Carlo Ancelotti fracassou diante da Noruega.
O Brasil desde o início apostou em um jogo de armadilha: dava a bola para a Noruega e apostava na transição em velocidade. Funcionou muito pouco. O pênalti perdido por Bruno Guimarães no primeiro tempo daria contornos diferentes ao jogo, mas a realidade mostra que a Seleção apostou alto em um estilo que não condiz com suas tradições e não soube ser letal quando teve chances.
Os melhores momentos até vão indicar boas defesas de Nyland, as estatísticas indicam mais finalizações. A Seleção, no entanto, deixou muito a bola com os noruegueses, e acabou sofrendo com isso pela cabeça e pelo pé esquerdo do vilão “óbvio”: Haaland.
As substituições no segundo tempo tiraram a força da Seleção, colocaram a Noruega no jogo, e o castigo foi fatal.
Primeiro tempo
O Brasil apostou em um jogo sem tanta posse de bola para atacar os espaços em profundidade e teve um início preocupante de jogo. As bolas longas das primeiras ações indicavam muito mais uma tentativa de ganhar campo do que pressionar, e a Noruega chegou a ter 80% de posse de bola nos primeiros dez minutos.
O gol anulado de Berg por impedimento de Sorloth logo aos dois minutos assustou uma Seleção que demorou para se encontrar para ocupar espaços e conter a transição rápida norueguesa. Quando ajustou posicionamentos, o Brasil viveu seus melhores momentos ao subir a pressão na saída de bola.
Foi assim que Rayan ganhou duas divididas para Martinelli servir Cunha, que sofreu pênalti. Era o cenário perfeito para uma Seleção que apostava nos contra-ataques, mas Nyland defendeu a cobrança de Bruno Guimarães.
Bem posicionado, o Brasil não tinha a bola, mas não sofria e era perigoso na recuperação rápida com campo aberto. Rayan pela direita tinha volume, mas faltava companhia. Na esquerda, as conexões entre Martinelli e Vini funcionavam mais, e o camisa 7 viu boa chance parar novamente em Nyland.
Com a bola, mas sem tanta criatividade, a Noruega apelou para ligações diretas para Haaland. Magalhães e Marquinhos pareciam mais preocupados no embate físico do que em marcar o espaço, e assim Odegaard teve grande chance para boa defesa de Alisson no lance final de um primeiro tempo equilibrado.
Segundo tempo
O roteiro permaneceu na volta do segundo tempo, com o Brasil marcando ainda mais baixo para sair em velocidade. Com Endrick na vaga de Cunha, o time passou a ter a “flecha” para atacar a profundidade e com menos de um minuto em campo quase deu certo. Vini serviu o garoto, que perdeu na frente do goleiro.
A partir dos 15 minutos, o jogo teve maior trocação. Rayan levou perigo em chute da entrada da área, e a Noruega assustava em cruzamentos buscando Haaland.
Ancelotti voltou a mexer no time aos 22: trocou Martinelli por Danilo Santos, Rayan por Neymar. A partir daí, o Brasil praticamente não jogou. Perdeu força, deu campo, e a Noruega aproveitou os espaços.
Alisson defendeu chute forte de Schjeldrup, mas o volume de jogo era norueguês. Ederson tinha acabado de entrar na vaga de Bruno Guimarães quando a bola girou pelo lado direito da defesa, e o cruzamento de Schjeldrup encontrou Haaland dentro da área.
Gabriel Magalhães nem viu de onde veio o atacante, como um cometa para cabecear firme para o fundo das redes. O Brasil se via em apuros: sem posse de bola, sem força, sem criatividade.
Por mais que rondasse a área, a Seleção tentava mais abafar do que organizar ataques produtivos. Nyland seguia quase intransponível, até que Haaland apareceu mais uma vez para definir o jogo com um chutaço de canhota.
O Brasil deu a bola, a Noruega fez uso dela com o que tem de melhor: Haaland. O plano de Ancelotti deu errado, e muito errado. A Seleção está fora da Copa do Mundo e não dá para dizer que isso é uma injustiça.
Por Cahê Mota — Nova Jersey, EUA