MENU

Preços do feijão devem continuar subindo até abril

Oferta restrita e problemas climáticos sustentam as cotações do grão.

Compartilhar:
Preços do feijão devem continuar subindo até abril

Uma combinação de estoques baixos, redução do plantio e problemas causados pelo clima tem dado sustentação aos preços do feijão mesmo durante a colheita da safra de verão, ou safra das águas. E como a produção da segunda safra só deve chegar ao mercado em maio, os preços tendem a se permanecer mais altos até abril, na avaliação do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe).

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o feijão-carioca de melhor qualidade atingiu R$ 297,93 a saca de 60 quilos no leste de Goiás, na sexta-feira (6/2), alta de 12,77% no mês. O preço do feijão-preto no sul do Paraná atingiu R$ 183,23 a saca, com alta de 4,43% no mês, com uma oferta mais confortável.

“Nesse momento, a gente está colhendo a primeira safra. Ela foi cerca de 20% menor em carioca e 20% a 25% menor em feijão-preto. Os preços começam a subir e o plantio da segunda safra vai refletir no abastecimento lá para maio. Então temos até abril um período em que é possível ter uma subida de preços”, afirmou Marcelo Lüders, presidente do Ibrafe.

Lüders estima que os preços devem se manter acima da média do ano passado ao longo do primeiro semestre. No segundo semestre, tudo vai depender do plantio da terceira safra, que é irrigada.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 44% da área plantada na primeira safra já foi colhida no país, abaixo dos 47,2% colhidos no mesmo intervalo de 2025 e também abaixo da média histórica, de 52,3%.

Para este ciclo, a previsão da Conab é de 807,6 mil hectares plantados com feijão, 11,1% menos em relação ao mesmo intervalo da safra 2024/25. A produção prevista é de 983,6 mil toneladas, queda de 7,4%. Já o plantio da segunda safra está 88,8% concluída no país, ante 99,1% há um ano e abaixo da média histórica, de 97,6%.

Produção nos Estados

Em Minas Gerais, que cultiva a maior área no período, as chuvas persistem e dificultam o avanço da colheita, além de começar a causar perdas de potencial produtivo nas lavouras. A qualidade dos grãos também tem sido afetada, segundo a Conab.

A safra de verão, ou das águas, vai de novembro a fevereiro e é a mais representativa de Minas Gerais, concentrando 45,3% da produção estadual, de acordo com o Sistema Faemg Senar.

No Paraná, maior Estado produtor na segunda safra de feijão, a colheita da primeira safra está em fase final e as temperaturas elevadas podem afetar as lavouras tardias, que ainda estão em fase de enchimento de grãos, informou a Conab. Segundo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, a primeira safra de feijão está com a colheita praticamente concluída em diversas regiões, com mais de 90% da área total colhida. Já a segunda safra apresenta ritmo de plantio limitado pela escassez de umidade no solo.

A produção de feijão no Paraná na primeira safra é estimada em 195,7 mil toneladas, com queda de 41,3% em relação ao mesmo ciclo da temporada 2024/25. A segunda safra é estimada em 540,7 mil toneladas, com aumento de 2,7%.

Na Bahia, um terço da área está colhida. O cenário tem sido positivo na maior parte das regiões produtoras, com exceção de áreas no Centro-Norte baiano, que apresentam chuvas mais irregulares.

Em Goiás, as chuvas limitam o avanço da colheita e vêm gerando perdas de rendimento e de qualidade dos grãos pelo excesso de umidade em parte do Estado, segundo a Conab. A produção da primeira safra no Estado é estimada em 126,1 mil toneladas, alta de 51,9%.

No Rio Grande do Sul, temperaturas altas e chuvas esparsas não interferiram na maturação e no avanço da colheita, mas o calor pode prejudicar o rendimento dos grãos nas lavouras tardias, segundo a Conab.

A Emater-RS informou que as chuvas foram localizadas e mal distribuídas no Estado. Com isso, as lavouras da primeira safra apresentam condições diferentes. Nas áreas em desenvolvimento vegetativo (cerca de 20%), ainda não há problemas devido à baixa umidade, mas alguns cultivos sofrem com a deficiência hídrica. A semeadura da segunda safra chegou a 20%, viabilizada pelas baixas precipitações em parte da região produtora.

Em Santa Catarina, houve bom avanço da colheita, para 52% da área total. A Conab alerta no entanto para a umidade e as temperaturas altas, que têm favorecido o aumento dos registros de doenças. A produção de feijão no Estado na primeira safra é estimada em 51,4 mil toneladas, com queda de 23,3%.

Por Cibelle Bouças — Belo Horizonte