
As cotações do trigo seguem acumulando altas consecutivas. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os valores são sustentados pela restrição de oferta neste período de entressafra e pela postura retraída dos vendedores, devido aos possíveis impactos do El Niño no Sul do Brasil.
No Rio Grande do Sul, o preço médio estadual ultrapassou os R$ 1.300 por tonelada, retornando aos patamares nominais observados em agosto de 2025. Nesta segunda-feira, o indicador Cepea/Esalq para o mercado gaúcho apresentou o preço médio de R$ 1.325,96 a tonelada, uma alta acumulada de 5,15% em maio.
No Paraná, os valores superaram R$ 1.350 por tonelada, voltando aos níveis registrados em meados de setembro de 2025, também em termos nominais. Nesta segunda-feira, o indicador Cepea/Esalq registrou, no Estado, a cotação de R$ 1.354,44 a tonelada, alta de 0,88% desde o início do mês.
Segundo pesquisadores do Cepea, de modo geral, produtores seguem retendo o cereal diante da expectativa de produção reduzida na próxima temporada, em meio a incertezas relacionadas ao clima. A confirmação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 mantém triticultores do Sul do País em alerta, devido à possibilidade de aumento das chuvas durante o período de maturação e pré-colheita do trigo.
Do lado comprador, moageiras têm aceitado os preços mais elevados oferecidos por vendedores, tanto para atender à demanda no mercado físico quanto para recompor estoques, considerando a expectativa de estabilidade do consumo interno, conforme apontado pelo Cepea.
Por Marcelo Beledeli — Porto Alegre