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Preços internacionais dos alimentos ficam estáveis, aponta índice de maio

FAO aponta que as previsões para o início da temporada indicam uma provável queda na produção e no comércio global de cereais no próximo ano

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FAO aponta que as previsões para o início da temporada indicam uma provável queda na produção e no comércio global de cereais no próximo ano — Foto: Globo Rural/Foto: REUTERS/Chalinee

O Índice de Preços de Alimentos permaneceu praticamente estável em maio, com média de 130,8 pontos. O indicador recuou 0,2% em relação a abril, mas ficou 2,9% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulgado na sexta-feira (5), a queda nas cotações dos óleos vegetais compensou os aumentos observados nos cereais e no açúcar.

“Embora os mercados globais de alimentos tenham demonstrado resiliência, a alta dos cereais evidencia a vulnerabilidade do setor a riscos climáticos e a interrupções nos mercados de energia e insumos”, afirmou, em nota, Boubaker Ben-Belhassen, diretor da Divisão de Mercados e Comércio da FAO.

Entre os cereais, o índice avançou 2,6% em relação a abril e ficou quase 5% acima do nível registrado um ano antes. Os custos elevados de combustíveis e fertilizantes, somados às pressões climáticas, sustentaram a alta.

O trigo foi um dos principais destaques. Os preços subiram 3,4% no mês e 7,8% na comparação anual. De acordo com a FAO, a expectativa de safras menores em grandes exportadores, como os Estados Unidos, impulsionou as cotações.

O milho também avançou, com alta de 1,9%, impulsionado pela forte demanda internacional, pela menor disponibilidade do grão no Brasil e nos Estados Unidos e pelo consumo destinado à produção de etanol. Já o arroz acompanhou o movimento de valorização e subiu 2,7%, refletindo preocupações climáticas e custos logísticos mais elevados em países asiáticos.

Na direção oposta, o Índice de Preços de Óleos Vegetais da FAO caiu 4,6% em relação a abril, registrando a primeira queda mensal de 2026. As cotações internacionais do óleo de palma recuaram diante da expectativa de menor demanda global por importações e das incertezas no mercado de petróleo bruto.

Já a carne apresentou variação praticamente estável, com alta de apenas 0,1%. Os preços da carne bovina avançaram devido à forte demanda de importação, especialmente da China e dos Estados Unidos. Em contrapartida, a carne suína ficou mais barata, principalmente na União Europeia, onde a oferta abundante e a demanda moderada pressionaram os valores.

Os lácteos recuaram 0,5% em relação ao mês anterior, influenciados principalmente pela queda nos preços internacionais da manteiga. Enquanto isso, o açúcar registrou a maior alta entre as commodities acompanhadas pela FAO, com avanço de 7,5% em maio.

O aumento refletiu dois fatores principais: a destinação de uma parcela menor da cana-de-açúcar brasileira para a produção de açúcar, com prioridade para o etanol, e os temores de que o fenômeno El Niño prejudique as safras da Índia e da Tailândia.

Por Mariana Letizio — São Paulo


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