
A poucos dias do início da greve dos profissionais do magistério municipal, prefeitura de Cacoal (RO) e Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cacoal (Sinsemuc) apresentaram versões divergentes sobre a aplicação do reajuste de 5,4% reivindicado pela categoria.
A paralisação por tempo indeterminado está anunciada para começar na terça-feira, 8 de setembro de 2026, às 7h30, com concentração na Praça Municipal. Até o momento, não foi divulgado acordo capaz de suspender o movimento.
Em manifestação pública, a Prefeitura afirmou que cumpre integralmente a Lei do Piso Nacional do Magistério e que nenhum professor da rede municipal recebe abaixo do valor mínimo estabelecido nacionalmente.
Segundo a administração, o pedido apresentado pelo sindicato não seria para adequação do salário inicial ao piso, mas para aplicação de um reajuste geral de 5,4% em toda a carreira. A gestão sustenta que a medida alcançaria diferentes níveis e classes salariais e, por isso, dependeria de avaliação financeira e orçamentária.
O presidente do Sinsemuc, Fernando Neves, rebateu as declarações do prefeito Tony Pablo e afirmou que os 5,4% correspondem à atualização do Piso Nacional do Magistério.
Conforme a versão sindical, a legislação municipal e o plano de carreira da categoria determinariam que essa atualização também repercuta nas demais classes e referências salariais, preservando a progressão remuneratória dos profissionais.
Assim, o ponto central da controvérsia não parece estar apenas no salário inicial pago aos professores, mas na forma como a atualização nacional deve ser aplicada dentro da carreira municipal.

Apesar da troca pública de manifestações, não houve anúncio de nova proposta, retomada formal das negociações ou suspensão da greve.
Também não foram divulgadas informações detalhadas sobre o número de profissionais que deverão aderir, escolas e centros municipais de Educação afetados, manutenção da alimentação escolar, serviços mínimos ou eventual reposição das aulas.
A falta dessas definições aumenta a preocupação de pais e responsáveis, que ainda não sabem como será o funcionamento da rede municipal a partir de terça-feira.
As declarações da Prefeitura e do sindicato representam os posicionamentos oficiais de cada lado, mas não encerram a discussão jurídica.
Para esclarecer a controvérsia, será necessário confrontar a Lei Municipal do Plano de Carreira do Magistério, as tabelas remuneratórias, os contracheques dos servidores, a norma federal que atualizou o piso e os pareceres jurídicos utilizados pela administração e pelo sindicato.
Também precisa ser informado qual seria o impacto financeiro da aplicação dos 5,4% em toda a carreira e se o Município apresentou alguma alternativa formal para evitar a paralisação.
Enquanto não houver acordo ou decisão judicial, a greve continua prevista para começar no dia 8 de setembro, com possibilidade de afetar diretamente aulas, calendário escolar e a rotina das famílias de Cacoal.
Nelson Salles da Redação
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