
O café arábica disparou na bolsa de Nova York nesta quinta-feira (9/7). Os lotes com entrega para setembro de 2026 avançaram 12,30%, cotados a US$ 3,4790 a libra-peso.
O mercado reage às informações de atraso na colheita do Brasil, maior produtor e exportador da variedade arábica. A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), maior cooperativa de café do mundo, informou que a colheita dos seus cooperados atingiu 30,9% do total até sexta-feira passada (3/7), um avanço de 6 pontos percentuais em relação à semana anterior.
O índice ficou 9,5 pontos percentuais abaixo do nível de colheita apurado no mesmo intervalo de 2025. Em relação a 2024, o atraso chega a 20,7 pontos percentuais. É o menor índice registrado desde 2018.
Segundo Antonio Pancieri Neto, corretor na Painel do Café, esse atraso na colheita brasileira, e ainda as atenções com o El Niño, se tornaram gatilho para uma reestruturação da estratégia dos fundos de investimento, que agora passam a apostar cada vez mais na valorização do arábica em Nova York.
"O mercado esperava que a safra brasileira suprisse a necessidade de demanda no curto prazo. Enquanto isso não acontece, os estoques estão sendo drenados, e não está sobrando café na bolsa neste momento", afirma o corretor.
Cacau
O preço do cacau também registrou forte alta na sessão. Os contratos para setembro fecharam em alta de 6,66%, negociados a US$ 6.455 a tonelada.
O mercado segue pautado por preocupações com El Niño, que pode afetar a produção no Oeste da África, maior região produtora global das amêndoas.
Suco de laranja
Na contramão do café e do cacau, o suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) despencou. Os lotes do produto para setembro recuaram 5,46%, a US$ 1,4455 a libra-peso.
Açúcar
O preço do açúcar registrou ligeira alta na sessão. Os lotes do demerara para outubro avançaram 0,07%, a 15,12 centavos de dólar a libra-peso.
Algodão
O algodão fechou a quinta-feira com preços praticamente estáveis. Os lotes com vencimento em dezembro, os mais negociados atualmente, recuaram 0,05%, a 80,63 centavos de dólar a libra-peso.
Por Paulo Santos e Cibelle Bouças — São Paulo e Belo Horizonte