
A recuperação da atividade industrial ganhou força no início de 2026, em meio a um crescimento ainda moderado da economia brasileira. O avanço foi mais intenso em uma cadeia estratégica para agricultura, construção e saúde.
Dados da Abiquim mostram que a produção da indústria química cresceu 22,8% nos três primeiros meses do ano, ante o fim de 2025. As vendas internas subiram 22,7%. No período, o PIB avançou 0,9%, segundo o Monitor do PIB-FGV.
A reação foi acompanhada por queda de 19,1% nas importações e aumento da participação da produção nacional no abastecimento interno, de 42% em dezembro de 2025 para 56% em março de 2026. A utilização da capacidade instalada passou de 49% para 63%.
Entre os destaques, os intermediários para plásticos cresceram 26% em março ante fevereiro, enquanto os intermediários para fertilizantes avançaram 10,6%. As resinas termoplásticas tiveram alta de 4% e chegaram a 70% de uso da capacidade instalada.
Apesar da melhora, o setor ainda enfrenta desafios. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, produção e vendas recuaram 4,1%. Em doze meses até março, a produção caiu 7% e as vendas internas diminuíram 8,2%. O relatório aponta energia, gás natural, matérias-primas, logística e dependência externa como entraves a uma retomada consistente.
“Sem resolver o custo das matérias-primas e da energia, será muito difícil transformar essa reação conjuntural em um ciclo sustentável de crescimento e investimento industrial”, afirma o presidente-executivo da Abiquim. “Fortalecer a indústria química é fortalecer a capacidade do Brasil de produzir, inovar e competir globalmente”, conclui André Passos Cordeiro.
Por Leonardo Gottems