
Os Estados Unidos devem diminuir o volume de açúcar importado nesta safra 2025/26, iniciada em outubro do ano passado, em 26% na comparação com a safra anterior, nas novas projeções do Departamento de Agricultura americano (USDA). O volume estimado de importações para esta safra é de 2,512 milhões de toneladas, em comparação com 3,393 milhões de toneladas importadas na safra passada.
A redução das importações ocorre diante da taxação de países produtores, notadamente o Brasil, sobre o qual recaiu a taxa de 50% durante o pico da safra do Norte e Nordeste, que atendem o mercado americano.
Deve haver redução das importações tanto dentro da cota que permite compras com tarifas reduzidas como fora da cota. Dentro da cota, o volume de açúcar importado deve cair 14,2%, para 1,316 milhão de toneladas. Fora da cota, o volume importado deve recuar 39,7%, para 896 mil toneladas.
A tarifa que incide sobre as importações de açúcar fora da cota é de 33,87 centavos de dólar o quilo do açúcar bruto. Dentro da cota, a tarifa cai para 1,4606 centavo de dólar o quilo do açúcar bruto. O Brasil usufrui de uma parcela da cota com tarifa reduzida, mas nesta safra as exportações brasileiras aos Estados Unidos foram afetadas pela sobretaxa aplicada por Donald Trump até fevereiro, quando foi derrubada pela Suprema Corte americana.
A diminuição da oferta de açúcar oriunda do exterior apertou a disponibilidade interna de açúcar no país, já que a produção da commodity dentro dos Estados Unidos não atende toda a demanda e ainda deve ter queda nesta safra. Nas estimativas do USDA, o volume de produção de açúcar em 2025/26 no país deve cair 1,3%, para 9,268 milhões de toneladas. Já a demanda interna total deve ficar em 12,389 milhões de toneladas.
A relação entre estoque final de açúcar nesta safra e consumo — índice que influencia a formação de preços — deve cair de 19,9% na safra passada para 15,2%.
Por Camila Souza Ramos — São Paulo