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Ração animal registra aumento de produção em 2025

Setor espera novo aumento este ano, para 97 milhões de toneladas, afirma Sindirações

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Ração animal registra aumento de produção em 2025

A produção nacional de rações e suplementos voltados ao segmento animal atingiu 94 milhões de toneladas em 2025, avanço de 3% em relação às 91 milhões de toneladas registradas no ano anterior, conforme dados divulgados nesta segunda-feira (30/3) pelo Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).

Em nota, o sindicato disse que esse aumento acompanhou a recuperação das cadeias de proteína animal e a melhora nas condições de custo dos principais insumos.

“Após um período de maior volatilidade, especialmente associado aos custos de grãos e ao ambiente macroeconômico, o setor voltou a apresentar crescimento consistente. A cadeia de alimentação animal segue o desempenho da produção pecuária e aquícola no país”, afirmou, na nota, Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações.

Aves e suínos

A oferta de rações cresceu entre as atividades que mais demandam o insumo. Na avicultura de corte, a produção passou de 36,9 milhões de toneladas em 2024 para 37,85 milhões em 2025, alta de 2,5%.

De acordo com o Sindirações, o desempenho acompanha o aumento do abate de frangos, que cresceu 3,1% no ano, segundo dados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A produção de ovos também segue em expansão e tem ampliado a demanda por nutrição animal. A produção de ração para poedeiras comerciais avançou de 7,18 milhões de toneladas em 2024 para 7,43 milhões em 2025, crescimento de 3,5%. No mesmo período, a produção nacional de ovos aumentou 5,6%, refletindo a ampliação do consumo doméstico.

Na suinocultura, a demanda por ração apresentou recuperação gradual após um período de maior volatilidade no setor. O consumo passou de 21,6 milhões de toneladas em 2024 para 22,5 milhões em 2025, alta de 4,2%. O abate de suínos cresceu 4,3% no ano, sinalizando retomada da produção.

Bovinos

A bovinocultura de corte foi um dos destaques do ano, impulsionada pela expansão do confinamento no país. A produção de ração destinada ao segmento avançou de 7,22 milhões de toneladas em 2024 para 7,76 milhões em 2025, crescimento de 7,5%. O abate de bovinos aumentou 8,2%, segundo o IBGE.

Dados do Censo do Confinamento, elaborado pelo Cepea/Esalq/USP, indicam que o número de animais confinados saltou de 7,96 milhões de cabeças em 2024 para 9,25 milhões em 2025, expansão de 16%. Para 2026, o volume pode se aproximar de 10 milhões de cabeças, o que tende a ampliar ainda mais o consumo de ração no segmento.

“O avanço do confinamento é um dos fatores estruturais mais relevantes para o crescimento da indústria de alimentação animal. À medida que a pecuária brasileira se intensifica, a nutrição passa a desempenhar papel cada vez mais estratégico para ganhos de produtividade e eficiência”, destacou Zani.

Apesar do cenário positivo, o Sindirações pontuou que o setor acompanha com cautela os desdobramentos da aplicação de salvaguardas pela China às importações de carne bovina, com cota anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas e tarifas adicionais para volumes excedentes.

Na pecuária leiteira, a demanda por ração também cresceu de forma expressiva. O consumo passou de 7,1 milhões de toneladas em 2024 para 7,66 milhões em 2025, alta de 7,9%. De acordo com dados preliminares do IBGE, a aquisição formal de leite aumentou 8% no período, indicando recuperação da produção.

Peixes e pets

No que diz respeito à aquicultura, o Sindirações avaliou que esse setor está entre os mais dinâmicos da cadeia. A produção de ração avançou de 1,79 milhão de toneladas em 2024 para 1,9 milhão em 2025, crescimento de 5,3%. A piscicultura brasileira já ultrapassa 1 milhão de toneladas de peixes cultivados, com predominância da tilápia.


O mercado de alimentos para cães e gatos manteve expansão mais moderada, porém consistente. A produção passou de 4,01 milhões de toneladas em 2024 para 4,04 milhões em 2025, com projeção de 4,15 milhões de toneladas em 2026. O crescimento tem sido impulsionado pela maior preocupação dos tutores com nutrição, saúde e bem-estar dos animais de estimação, além da expansão de canais digitais de venda.

“A humanização dos pets tem impulsionado a evolução do mercado, com maior demanda por produtos nutricionalmente mais completos, formulações especializadas e soluções voltadas à saúde e longevidade dos animais”, acrescentou o CEO do Sindirações.

Projeções para 2026

Para 2026, a projeção do Sindirações aponta para um novo aumento da oferta, que deve chegar a 97 milhões de toneladas, consolidando um ciclo de expansão moderada, sustentado pela intensificação da produção pecuária e pelo aumento da demanda por proteína animal no Brasil e no exterior.

Pelas projeções da entidade, a oferta de rações deve crescer em todos os segmentos analisados na comparação com 2025. No caso da avicultura de corte, a previsão é de um volume de 39,1 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelas exportações. Já os alimentos destinados às galinhas poedeiras devem somar 7,73 milhões de toneladas.

Para 2026, a previsão para oferta de ração na suinocultura é de 23,1 milhões de toneladas. Na pecuária de leite, a quantidade deverá ser de 7,9 milhões de toneladas de ração.

Ainda segundo o Sindirações, o setor de aquicultura deverá demandar 2 milhões de toneladas este ano, impulsionada pelo aumento das exportações, pelo crescimento do consumo interno de pescado e pelos avanços tecnológicos na produção.

“O triênio 2024–2026 confirma uma trajetória de expansão gradual da indústria de alimentação animal, sustentada pela evolução simultânea das cadeias de proteína animal. No entanto, fatores geopolíticos e comerciais tendem a exercer influência crescente sobre o ambiente de negócios do setor”, concluiu Zani.

Por Paulo Santos — Campina Grande (PB)


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