O Brasil exportou 34.468 toneladas de mel “in natura” entre janeiro e dezembro de 2025, volume 9,1% inferior ao registrado no mesmo período de 2024, quando os embarques somaram 37.931 toneladas. Apesar da retração no volume, a receita alcançou US$ 116,472 milhões, crescimento de 15,8% na comparação anual. O preço médio nacional atingiu US$ 3.379,13 por tonelada, alta de 27,5% frente ao valor observado em 2024, conforme o Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (5) pelo Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, com base em dados do Agrostat Brasil.
No acumulado de 2025, o Paraná encerrou o ano na terceira colocação entre os estados exportadores de mel natural, com 5.983 toneladas embarcadas e receita de US$ 20,069 milhões, a um preço médio de US$ 3.354,38 por tonelada. No mesmo período de 2024, o estado havia exportado 3.969 toneladas, com faturamento de US$ 10,395 milhões e preço médio de US$ 2.619,05 por tonelada.
Minas Gerais liderou o ranking em 2025, com exportações de 7.722 toneladas e receita de US$ 26,383 milhões, a um preço médio de US$ 3,42 por quilo. Em 2024, o estado havia exportado 7.761 toneladas, com faturamento de US$ 21,483 milhões e preço médio de US$ 2,77 por quilo. O Piauí ficou na segunda posição, com 6.564 toneladas e receita de US$ 21,677 milhões em 2025, enquanto no ano anterior os embarques alcançaram 10.032 toneladas, com US$ 25,548 milhões em receita e preço médio de US$ 2,55 por quilo. Santa Catarina ocupou a quarta colocação, com 4.822 toneladas exportadas e US$ 16,478 milhões em receita em 2025, ante 5.477 toneladas e US$ 14,217 milhões em 2024.
Os Estados Unidos permaneceram como principal destino do mel brasileiro em 2025, concentrando 84,2% do volume exportado no período. O país importou 29.026 toneladas, com receita de US$ 97,783 milhões e preço médio de US$ 3,37 por quilo. Em 2024, as compras somaram 29.985 toneladas, com faturamento de US$ 78,638 milhões e preço médio de US$ 2,62 por quilo. Mesmo após a aplicação do “tarifaço” de 50% a partir de 6 de agosto de 2025, as exportações para os Estados Unidos recuaram 3,2% em volume, enquanto a receita avançou 24,3%, em função do maior valor pago pela tonelada do mel no período.
Ao longo do segundo semestre, os efeitos da sobretaxa se refletiram na dinâmica das compras norte-americanas. Em agosto de 2025, os Estados Unidos importaram 2.941 toneladas e desembolsaram US$ 10,675 milhões, volumes e valores superiores aos de igual mês de 2024, movimento associado à antecipação de compras. Em setembro, as importações recuaram para 2.338 toneladas, com gasto de US$ 8,448 milhões, volume inferior ao de 2024, mas com receita maior em função da elevação do preço médio. Em outubro, os embarques somaram 1.643 toneladas, com US$ 5,502 milhões em receita, novamente com menor volume e maior faturamento na comparação anual.
Em novembro, mesmo após anúncios de retirada parcial de tarifas para diversos produtos brasileiros, o mel permaneceu sujeito à alíquota de 50%. No mês, os Estados Unidos importaram 1.433 toneladas, com gasto de US$ 3,160 milhões, queda expressiva em relação a novembro de 2024, quando haviam sido adquiridas 3.862 toneladas, com US$ 10,455 milhões em receita. O preço médio por tonelada recuou para US$ 2.204,90 no mês.
O ano foi encerrado com retração nas compras em dezembro, quando os Estados Unidos importaram 1.419 toneladas, redução de 39,8% no volume frente ao mesmo mês do ano anterior, com receita de US$ 4,978 milhões, queda de 29,8%. Houve, no entanto, recuperação pontual no preço médio, que alcançou cerca de US$ 3.508 por tonelada, acima do observado em dezembro de 2024.
O setor apícola encerrou 2025 em cenário de incerteza, com a continuidade da tarifa sobre o mel brasileiro nos Estados Unidos. O desempenho do segmento permanece condicionado às negociações bilaterais e à capacidade de abertura de novos mercados, em um contexto de limitações logísticas e sanitárias no curto prazo.
Por Seane Lennon