MENU

Reconhecimento da China fortalece exportações brasileiras de carne após status de livre de febre aftosa

Decisão ocorre após mais de 20 anos de negociação entre os países; medida deve ter efeitos imediatos na exportação de carne suína

Compartilhar:
1780410044_344348d7dbe244dfe492.jpg
Reconhecimento amplia oportunidades para as exportações de produtos bovinos e suínos oriundos do Brasil no mercado chinês — Foto: Mapa/Divulgação

A China anunciou nesta terça-feira (2/6) o reconhecimento do status sanitário de todo o território do Brasil como livre de febre aftosa. A decisão ocorre após mais de 20 anos de negociação entre os países. A medida deve ter efeitos imediatos na exportação de carne suína com osso e miúdos e pode ajudar as autoridades brasileiras a avançarem nas negociações para ampliar vendas de carne bovina.

A decisão foi anunciada durante a visita do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim. Em nota, o Itamaraty e o Ministério da Agricultura afirmaram que "o reconhecimento amplia oportunidades para as exportações de produtos bovinos e suínos oriundos do Brasil no mercado chinês, como miúdos e carne com osso". As exportações do agronegócio brasileiro com destino à China ultrapassaram US$ 50 bilhões em 2025.

No ano passado, a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) já havia reconhecido o Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, afirmou à reportagem que o efeito para a suinocultura brasileira é imediato. "Plantas já habilitadas poderão pedir aumento de escopo para exportar carne com osso e miúdos externos", disse.

Atualmente, apenas as unidades de Santa Catarina, Estado que já tinha o reconhecimento do status sanitário de livre de febre aftosa pela China, podiam enviar carne com osso e miúdos externos. Ao todo, o Brasil tem 19 plantas de suínos habilitadas para exportar aos chineses, das quais nove são catarinenses.

O principal beneficiário deverá ser o Rio Grande do Sul, que tem oito plantas habilitadas para a China, que poderão requerer autorização para envio de carne com osso e miúdos. As outras duas unidades são em Mato Grosso e Goiás.

"É uma notícia gigante, que muda o cenário para esse ano para a carne suína. As plantas além de Santa Catarina vão poder exportar carne com osso e miúdos externos", destacou Rua.

O secretário disse que o reconhecimento ajudará também nas negociações para ampliação do mercado de carne bovina e inserção de itens que não estão previstos na cota anual imposta pela China. "Somado ao reconhecimento em fevereiro da EEB [doença do mal da vaca louca], permitirá avançar nas negociações para inclusão de carne bovina com osso e miúdos no protocolo", avaliou.

Ele também vê a possibilidade de a decisão ajudar nas tratativas para abertura do mercado de cálculo biliar, produto de alto valor agregado e com forte demanda pela medicina tradicional chinesa.

Repercussão

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou, em nota, que considera "histórica" a decisão do governo chinês, anunciada em conjunto com a Administração-Geral de Alfândegas (GACC, na sigla em inglês) e o Ministério da Agricultura e dos Assuntos Rurais (Mara). Para a entidade, a medida representa um "marco para a pecuária brasileira e para a relação comercial entre os dois países".

Para a Abiec, a decisão é resultado do trabalho contínuo realizado por produtores rurais, indústrias, serviços veterinários oficiais e demais instituições envolvidas na defesa agropecuária. "A conquista reflete a capacidade do Brasil de unir excelência técnica e diálogo institucional em favor da ampliação do comércio agropecuário", disse na nota.

"Para a cadeia da carne bovina, a decisão traz ainda mais segurança e previsibilidade para o comércio entre Brasil e China. Principal destino das exportações brasileiras do produto, a China desempenha papel fundamental para o setor, e esse avanço reforça a confiança construída ao longo dos anos, criando condições para o aprofundamento das relações comerciais e para a geração de mais oportunidades ao longo de toda a cadeia produtiva", completou a Abiec.

A notícia também favorece as exportações de couro wet blue. Com o reconhecimento, as vendas brasileiras não precisarão mais de Certificado Sanitário Internacional (CSI), o que facilita o processo. Recentemente, 90 plantas foram habilitadas para exportar o produto à China.

A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) também disse, em nota, que a medida representa “importante” reconhecimento dos controles sanitários da carne bovina brasileira por seu maior parceiro comercial. “(A decisão) Abre novas e importantes oportunidades de ampliação do comércio, com possibilidade concreta de abertura de mercado para produtos como carne com osso e miúdos bovinos", disse Paulo Mustefaga, presidente da Abrafrigo.

Os ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura afirmaram, em nota, que a assinatura do "Memorando de Entendimento entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e a Administração-Geral de Aduanas da República Popular da China na Área de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias", durante a missão presidencial do Brasil à China, em maio de 2025, reforçou o diálogo sanitário entre os países e contribuiu para o avanço de tratativas de interesse do setor agrícola brasileiro.

Por Rafael Walendorff — Brasília


Junte-se ao Nosso Grupo! Receba notícias em primeira mão

Faça parte do nosso grupo WhatsApp.

Entrar Agora →