
A desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a 48% de acordo com uma nova rodada da pesquisa Nexus divulgada nesta segunda-feira (29). A avaliação negativa tem, entre os principais motivos, a preocupação dos brasileiros com a segurança pública.
A pesquisa apontou que a aprovação a Lula é exatamente a mesma, de 48%, com uma variação de apenas 1% na comparação com o levantamento divulgado há duas semanas.
A Nexus ouviu 2.009 pessoas em todo o país entre os dias 26 e 28 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-05821/2026.
A pesquisa da Nexus apontou, ainda, que 42% dos brasileiros avaliam o terceiro mandato de Lula como ruim ou péssimo, enquanto que 38% consideram como ótimo ou bom:
- Ótimo: 18%;
- Bom: 20%;
- Regular: 18%;
- Ruim: 9%;
- Péssimo: 33%.
Lula tem enfrentado uma forte oscilação em sua popularidade principalmente após o segundo ano deste governo, entre uma maior e menor desaprovação principalmente em relação à segurança pública. No começo deste terceiro mandato, as questões econômicas se sobressaíam entre as preocupações dos brasileiros.
No entanto, com o avanço do governo e a dificuldade de conter a alta criminalidade nas cidades, principalmente no roubo a celulares e tráfico de drogas, a avaliação de parte significativa da população é de que a gestão petista não tem uma política pública eficaz com a segurança pública.
Segundo a Nexus, 29% dos entrevistados ressaltam a segurança pública, a violência e a criminalidade como principais problemas deste governo. A saúde pública vem na sequência com 26%, mesmo índice da preocupação com a corrupção.
Ações do governo na segurança pública
Para tentar reverter essa imagem de uma suposta inércia na questão da segurança pública, o governo Lula passou a intensificar as ações principalmente a partir do ano passado. Entre elas o programa Celular Seguro, lançado para permitir que vítimas de roubo, furto ou perda bloqueiem rapidamente o aparelho, a linha telefônica e aplicativos bancários por meio de uma única plataforma.
A ferramenta foi posteriormente ampliada com o Modo Recuperação e, mais recentemente, com o Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), que integra dados de operadoras, polícias e da Anatel para dificultar a revenda de aparelhos roubados e facilitar sua recuperação.
Outra aposta do governo é o programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em 2026 com previsão de R$ 11 bilhões em investimentos. A estratégia concentra esforços na asfixia financeira das facções, no combate ao tráfico de armas, no fortalecimento da investigação de homicídios e na modernização do sistema penitenciário, incluindo a implantação de padrões de segurança máxima em 138 presídios estaduais, criação de um centro nacional de inteligência penal e ampliação das operações integradas entre União e estados.
No campo legislativo, o governo também encaminhou ao Congresso a PEC da Segurança Pública, considerada a principal proposta estrutural da gestão para o setor. O texto busca consolidar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição, ampliar o compartilhamento de informações entre as forças policiais, fortalecer a atuação da Polícia Federal no enfrentamento ao crime organizado, garantir recursos permanentes para a área e formalizar o papel das guardas municipais como integrantes do sistema nacional de segurança.
Esta ação, no entanto, enfrenta uma forte resistência da oposição pela sensação de que o governo Lula pretende interferir na prerrogativa constitucional dos estados de definirem suas políticas de segurança pública. A PEC já foi aprovada na Câmara dos Deputados e está parada no Senado aguardando despacho do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), para dar andamento à tramitação.
Por Guilherme Grandi