
Enquanto a equipe de reportagem da TV Suruí Cacoal, canal 15.1, se preparava para deixar as áreas atingidas do bairro Floresta, em Cacoal (RO), um pedido silencioso de socorro mudou completamente o rumo da cobertura. No topo de um monte de terra, um dos poucos pontos ainda secos em meio à inundação, uma mulher e uma criança aguardavam, ilhadas pela água que avançou rapidamente sobre a região.
Para alcançar a família, Matheus Afonso e Jurandir Telles, usaram botas impermeáveis e cautela redobrada. A água, visivelmente turva e contaminada, representava não apenas um obstáculo físico, mas também um risco à saúde.
No local, a equipe foi recebida por Dona Quitéria Ferreira. Apesar do cansaço estampado no rosto, a dona de casa demonstrava alívio ao relatar que conseguiu proteger o essencial e garantir a segurança da criança que estava com ela.
Segundo Quitéria, o volume de chuva surpreendeu até mesmo moradores mais antigos da região, acostumados com o comportamento do rio. “A gente sempre espera a enchente de 19 de março, né? A enchente de São José. Mas dessa vez foi diferente. Quando vimos, a água já estava na porta”, contou.
A reação foi imediata. A família conseguiu retirar um veículo e se abrigar no ponto mais alto do terreno, onde permaneceu isolada até a chegada da equipe. Mesmo diante da situação, há um certo alívio ao perceber que o nível da água começou a baixar. Marcas feitas no chão confirmam a redução gradual da cheia ao longo da manhã.
De acordo com moradores da região, o Rio Pirarara apresentou os primeiros sinais de vazante ainda no final da manhã desta segunda-feira, dia 21 de abril, de 2026. No entanto, o clima segue instável, com céu nublado e previsão de novas pancadas de chuva, o que mantém a comunidade em alerta.
Com o início da semana, a preocupação vai além dos prejuízos materiais. Moradores temem que uma nova elevação do nível do rio durante a noite possa surpreender novamente famílias inteiras nas primeiras horas do dia, comprometendo o retorno ao trabalho e às aulas.
A sensação que fica é de vigilância constante. Em regiões como o bairro Floresta, a rotina passa a ser ditada não pelo relógio, mas pelo comportamento das águas.
Da Redação O Minuto Notícia – Informação é Poder!