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Safra do milho sofre com condições climáticas no Brasil

Cenário é de restrição hídrica relevante, com baixos volumes de chuva e temperaturas acima da média

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EarthDaily indica que situação é crítica no oeste do Paraná, em áreas de Goiás e no leste de Mato Grosso — Foto: Jonas Vendruscolo / Arquivo pessoal

As principais regiões produtoras de milho de segunda safra no Brasil vêm enfrentando um cenário de restrição hídrica relevante, em função da combinação entre baixos volumes de chuva e temperaturas acima da média.

Nos últimos dez dias, de acordo com dados apurados pela EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola com uso de imagens de satélites, áreas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e grande parte do Paraná, responsáveis por cerca de 86% da produção nacional de milho safrinha, registraram acumulados entre 0 e 30 milímetros, configurando anomalias negativas que variam de 30% a 80% em relação à média histórica.

Segundo a empresa, esse padrão climático tem reduzido a disponibilidade de água no solo, especialmente em regiões mais vulneráveis, e pode comprometer o desenvolvimento das lavouras, sobretudo em fases reprodutivas, quando há maior demanda hídrica para o enchimento de grãos.

A EarthDaily reforça que a situação é crítica no oeste do Paraná, em áreas de Goiás e no leste de Mato Grosso, onde a persistência de baixos níveis de umidade do solo já configura um ambiente de estresse hídrico potencial.

“Além da escassez de chuvas, as temperaturas acima da média registradas na região Sul e em Mato Grosso do Sul têm intensificado a evapotranspiração, acelerando a perda de água no solo e agravando o desequilíbrio hídrico. Esse cenário contribui para a redução do vigor vegetativo das plantas e pode impactar o potencial produtivo caso se mantenha nas próximas semanas”, explica, em nota, Felippe Reis, analista de cultura da EarthDaily.

Indicadores de vegetação

Em Goiás, os indicadores de vegetação (NDVI) apontam um desenvolvimento das lavouras inferior ao padrão histórico, com comportamento semelhante ao observado na safra de 2021, marcada por perdas expressivas de produtividade. A combinação entre baixa umidade do solo e atraso no desenvolvimento reforça o risco agronômico no Estado, ainda que em menor intensidade do que no período crítico daquele ano.

Em Mato Grosso do Sul, embora o desenvolvimento inicial das lavouras seja considerado positivo, a manutenção de baixos níveis de umidade do solo acende um sinal de atenção para as próximas semanas, sobretudo diante da elevação da demanda hídrica com o avanço do ciclo.

Já em Mato Grosso, o índice de vegetação apresenta, até o momento, uma dinâmica menos favorável em comparação aos anos anteriores. Entretanto, há previsão de recuperação gradual das condições hídricas no curto prazo, o que tende a favorecer a retomada do desenvolvimento das lavouras, desde que os volumes de chuvas projetados se confirmem.

No Paraná, apesar de as lavouras ainda apresentarem NDVI satisfatório, os níveis de umidade do solo permanecem abaixo da média, especialmente no oeste do Estado. Caso a restrição hídrica persista com o avanço das culturas para estádios mais sensíveis, há risco de impacto sobre o enchimento de grãos e o rendimento final.

Por fim, a empresa de monitoramento agrícola ressalta que os modelos de previsão do tempo são divergentes sobre o comportamento das chuvas para os próximos dias. Ainda assim, a tendência indica a continuidade da restrição hídrica em áreas-chave do milho segunda safra no curto prazo.

Por Paulo Santos — Campina Grande (PB)


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